O fundador e CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que a participação da companhia no mercado chinês de chips avançados caiu de 95% para zero, após as restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos que proíbem a exportação de semicondutores de alto desempenho para o país asiático.
“Estamos totalmente fora da China no momento”, disse Huang durante um evento da Citadel Securities em Nova York, no início de outubro. O executivo acrescentou que segue “esperançoso por uma mudança de política” e defendeu que a medida representa um erro que impacta não apenas a China, mas também os EUA.
Segundo o South China Morning Post, desde 2022, a Nvidia está impedida de vender suas GPUs de ponta, como A100, H100 e H200, usadas em aplicações de inteligência artificial. Embora a empresa tenha recebido autorização para oferecer uma versão limitada, o chip H20, desenvolvido especificamente para o mercado chinês, o produto enfrenta uma investigação de segurança conduzida pela administração cibernética do país, e clientes locais foram orientados a evitá-lo.
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Huang reiterou que a proibição cria um vácuo que vem sendo rapidamente ocupado por concorrentes domésticos, especialmente a Huawei Technologies, que recentemente apresentou um novo portfólio de chips de IA projetado para contornar a dependência da Nvidia. “O que prejudica a China pode muitas vezes prejudicar também os Estados Unidos e até mais”, afirmou o executivo.
Segundo ele, o afastamento da tecnologia americana limita o acesso dos desenvolvedores chineses a ferramentas de ponta e, por consequência, reduz a influência global dos Estados Unidos na construção das bases da IA. “A China concentra cerca de 50% dos pesquisadores de IA do mundo. É um erro não permitir que eles construam soluções sobre a pilha tecnológica americana”, destacou.
As declarações ocorrem em meio à ofensiva da China por autossuficiência em semicondutores. Grandes companhias locais de internet, como Alibaba, Tencent, ByteDance e Baidu, estão ampliando investimentos em design e pesquisa de chips, por meio de projetos internos e parcerias estratégicas, para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.
Em setembro, Huang havia reconhecido o avanço chinês ao afirmar que o país está “nanosegundos atrás dos EUA” em capacidade de fabricação, citando a profundidade técnica, a competitividade entre províncias e a cultura de trabalho intensa como fatores que impulsionam a inovação local.
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