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Nvidia encara pressão de Wall Street após dois anos de boom da IA

A Nvidia chega ao segundo aniversário da revolução da inteligência artificial generativa sob intensa expectativa do mercado financeiro. Desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, a fabricante de semicondutores viu sua receita triplicar e seus lucros quadruplicarem, consolidando-se como protagonista da indústria de tecnologia.

A divulgação dos resultados do segundo trimestre fiscal, marcada para esta quarta-feira (27), será observada de perto por analistas e investidores, já que a companhia se tornou o termômetro do movimento da IA em Wall Street.

No mês passado, tornou-se a primeira empresa a alcançar US$ 4 trilhões em valor de mercado, com ações valorizadas 12 vezes desde o fim de 2022. Só em 2025, os papéis acumulam alta de 33%, fechando a última sexta-feira a US$ 177,99.

Leia também: Intel alerta que participação do governo dos EUA pode prejudicar vendas globais e futuros subsídios

Mesmo com números impressionantes, o ritmo de expansão começa a dar sinais de moderação. Após cinco trimestres seguidos de crescimento acima de 100% em 2023 e 2024, a empresa registrou alta de 69% no primeiro trimestre de 2025. Para o segundo, a expectativa é de avanço de 53%, com receita de US$ 45,9 bilhões, segundo estimativas da LSEG.

Dependência dos data centers

O impacto da IA em seu negócio é claro: 88% das vendas no primeiro trimestre vieram de data centers, área dominada pelos grandes provedores de nuvem, como Microsoft, Google, Amazon e Meta. Em 2024, três clientes responderam por 34% da receita total.

Segundo Melissa Otto, chefe de pesquisa da S&P Global Visible Alpha, a performance da Nvidia influencia diretamente a precificação do mercado em relação ao “trade da IA”, que tem sustentado os ganhos de Wall Street no último ano. Hoje, a Nvidia já representa 7,5% do índice S&P 500.

O poder do Blackwell

O grande trunfo da empresa é a nova linha Blackwell, que inclui chips gráficos e sistemas integrando até 72 GPUs. Lançada em março, já soma US$ 27 bilhões em vendas, equivalente a 70% da receita de data centers, um salto frente aos US$ 11 bilhões do trimestre anterior.

Analistas afirmam que o sucesso do Blackwell reforça o apetite das big techs por mais capacidade de processamento e deve acelerar o desenvolvimento de modelos mais sofisticados, como o GPT-5 da OpenAI, ainda treinado em chips da geração anterior, Hopper.

O desafio, porém, está na capacidade de produção: a Nvidia reconhece que a limitação não é a demanda, mas a oferta. A versão Blackwell Ultra está prevista para chegar ao mercado no segundo semestre de 2025.

Questões geopolíticas e riscos na China

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, se tornou um nome global, circulando entre líderes políticos e empresariais. Em julho, fechou um acordo com o governo Trump para retomar a venda do chip H20, desenvolvido para a China. O acerto prevê que a Nvidia repasse 15% da receita obtida no país ao governo norte-americano em troca de licenças de exportação, inicialmente, Trump havia exigido 20%.

O H20 poderia ter adicionado até US$ 8 bilhões em vendas no segundo trimestre, mas não entrou nas projeções da empresa, já que Pequim pressiona empresas locais a priorizarem processadores de fornecedores nacionais, como a Huawei.

Para analistas da KeyBanc, se a Nvidia incluir o H20 em suas estimativas, a receita pode ganhar um impulso extra de US$ 2 a 3 bilhões. Porém, a expectativa é de que a companhia mantenha a projeção conservadora, seguindo o exemplo da rival AMD.

De acordo com a LSEG, o mercado prevê crescimento de 50% na receita do terceiro trimestre, chegando a US$ 52,7 bilhões. Caso a Nvidia supere as expectativas e reforce o guidance, analistas acreditam que a “euforia da IA” deve ganhar ainda mais fôlego em Wall Street.

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