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Nuvem AWS ?chove? no Brasil. Dá para vender guarda-chuva?

Os clientes da Amazon Web Services (AWS) no Brasil devem ter tido muitas dores de cabeça nessa quarta-feira (18/12). Empresas que hospedam serviços na infraestrutura da companhia em São Paulo passaram por um longo período de quedas e instabilidades.

Essa foi a primeira ocorrência mais grave da gigante mundial de nuvem no País, desde sua chegada oficial, em novembro de 2011. Certamente, não será o último caso. Afinal, falhas são suscetíveis a ocorrer, o próprio Google já enfrentou dilemas semelhantes no passado algumas vezes.

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Questionada sobre a questão, a provedora enviou o comentário ?Na madrugada do dia 18 de dezembro, tivemos alguns incidentes em nossa infraestrutura da região de São Paulo. Para acompanhar o status de nossos serviços, por favor, acompanhe o AWS Health Dashboard?.

O comunicado lacônico traz diversas dúvidas, afinal, não traz uma previsão de solução do problema ou o motivo da falha. Algumas pessoas até aproveitaram o momento do futebol brasileiro, juntaram e esse fato e lançaram piadas do tipo: ?será que o Fluminense entrou com ação no STJD e derrubou a nuvem da Amazon??.

Questionamos alguns parceiros da companhia no País. ?Sim, um dos datacenters da AWS teve instabilidade hoje. Alguns projetos nossos foram afetados, mas de fato não tivemos indisponibilidade?, comentou Maurício Fernandes, presidente da Dedalus, um dos canais que há mais tempo trabalha com a marca no Brasil.

De fato, e isso deve ser deixado bem claro, sempre há risco de um data center cair. Para quem trabalha com tecnologia, isso não é novidade e acontece mundo a fora desde sempre. Mas, como o modelo de compra de soluções em nuvem, em diversos casos, extrapola a alçada dos CIOs e cai nos cartões de crédito corporativos das áreas de negócio, sempre vale a pena reforçar esse ponto.

Eventos como o do dia 18 de dezembro expõem uma marca, mexem com um conceito ainda emergente e deixa latentes alguns pontos de atenção na hora da contratação de uma solução em cloud. Contar com um time que conhece do assunto é sempre algo fundamental (seja esse time interno ou um parceiro capaz).

Conversamos com a Dedalus, mas há diversos canais brasileiros plenamente gabaritados a contornar situações desse tipo, seja para qual tecnologia for (Microsoft, Google, SAP, IBM, Salesforce.com, etc). Tem que usar a tecnologia direito.

Essas revendas, independente da oferta do fabricante com quem trabalham, muitas vezes têm produtos adicionais e garantias para casos de crise. Fernandes explica, por exemplo, que sua companhia tem uma política própria de recuperação de desastres que vão além do estipulado pela AWS. Pontos como esse são, até mesmo, uma confiança adicional no ganho do cliente quando não um serviço extra que vai engordar o faturamento da revenda.

O executivo explica que a Amazon tem a vantagem da redundância entre data centers de uma mesma região, algo automatizado mesmo entre infraestruturas espalhadas por diferentes partes do mundo. ?Se uma empresa usa estes serviços, ela simplesmente não cai – mesmo que um ou mais data centers fiquem completamente indisponíveis?, diz, observando que nem todas companhias querem pagar por tal recurso.

?Outra coisa que temos é um processo de gestão de crise, com procedimento de comunicação desenvolvido para notificar o cliente sobre os fatos?, diz o executivo, citando que a sala de crise foi acionada três vezes este ano.

Enquanto isso, resta saber os impactos disso no avanço da computação em nuvem e quantos receios isso pode causar no mercado. Estimativas da IDC apontavam que o conceito absorveria algo como US$ 70 bilhões, no Brasil, este ano, podendo atingir cifra superior a US$ 80 bilhões em dois anos.

Um estudo divulgado no início do ano pelo Gartner indicava que 45% das empresas pretendiam adotar cloud ao longo de 2013. A consultoria fazia a ressalva de que grande parte dessas empresas tinha uma inclinação para o modelo de nuvem privada.

?É importante sabermos a causa e as medidas de proteção para que não haja dúvidas do mercado e, com isso, restaure-se a credibilidade do serviço em nuvem?, comentou o executivo de uma revenda nacional com oferta focada no conceito de nuvem que trabalha tanto com AWS quanto com Google.

Certamente esse caso da Amazon no Brasil deixa alguns alertas, tanto para os usuários quanto para quem vende tecnologias em nuvem. Para o primeiro grupo, a certeza é que nuvem não faz mágicas sozinha e é preciso gestão para que não dê problemas.

Para o segundo, a certeza é que falhas acontecem e sempre há formas de mitigar riscos o que, em última instância, pode pedir novas parceiras que aumentem suas ofertas e, consequentemente, suas receitas. Afinal, o velho ditado vai demorar para cair em desuso: ?enquanto uns choram, outros vendem lenço?.

?Lembro que na primeira conversa que tive com um executivo da AWS, muitos anos atrás, ele disse: a única coisa que temos certeza é de que nossa tecnologia vai falhar – nosso papel é estar preparado e criar contingenciamento?, conclui Fernandes.

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Redação
12 anos ago

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