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Marc Benioff: desafio contra concorrentes é mostrar quem é a “Coca-Cola” e a “Pepsi” do mercado de IA

A Salesforce não está preocupada com a chegada de concorrentes, especialmente a Microsoft, no conceito de agentes de IA. A companhia, que lançou uma ferramenta semelhante na semana passada, gerou questionamentos a Marc Benioff, CEO e cofundador da Salesforce, que disse achar “engraçado que o lançamento tenha sido feito tão próximo ao Dreamforce”.

Na coletiva de imprensa realizada hoje (17/9), durante o Dreamforce*, evento anual da empresa em San Francisco (EUA), ele afirmou que há muitas narrativas de fornecedores e que muitas delas não são verdadeiras. “Vejo muitos clientes reais que estão implantando IA e copilotos, e que retreinaram diversas vezes os seus modelos. São US$ 300 bilhões investidos na indústria até agora com essas plataformas de IA. Mas quanto aumentou a produtividade?”, alfinetou ele.

Segundo o executivo, quando o próximo ano fiscal da Salesforce começar, no dia 1º de fevereiro de 2025, a expectativa é de ter milhares de clientes ativos no Agentforce (ferramenta lançada no evento). “Nossa meta é, quando voltarmos para o Dreamforce ano que vem, ter 1 bilhão de consumidores interagindo com agentes autônomos globalmente”, revelou ele.

Benioff aproveitou para frisar que os agentes são mais poderosos que os chatbots e, provavelmente, mais seguros. Segundo ele, o Gartner lançou um relatório que dizia que o Microsoft Copilot estava vazando dados de clientes. “Trata-se de uma camada confiável e de fazer da maneira certa. Meu modelo é melhor, mas vocês são o juiz e o júri.”

Na coletiva, um jornalista provocou Benioff e disse que “Wall Street” [termo usado para falar sobre o mercado financeiro norte-americano] parece confiar mais na Microsoft do que na Salesforce e perguntou ‘por que os consumidores deveriam ficar com a Salesforce e não mudar para a Microsoft e por que eles são tão maus com vocês?’.

O CEO da Salesforce não perdeu tempo e disse: “Porque eles são maus”, rindo com certa ironia. E completou: “nós nos importamos apenas com uma coisa: sucesso do cliente. Todas essas outras ‘merdas’, não nos importamos. Nós nos importamos com: você é bem-sucedido? Sim ou não?”.

Ele se comparou aos concorrentes afirmando que, enquanto outras empresas dizem aos clientes que eles precisam investir em dados, redes sociais e, agora, em IA ou agentes autônomos, com a Salesforce, segundo ele, os clientes não precisam fazer esses gastos.

“Estão tentando vender projetos científicos para você, mas você precisa se distanciar disso, e nós podemos provar isso. Repetidamente, temos demonstrado a nossos melhores clientes ao redor do mundo que nossa abordagem é superior”, afirmou.

De acordo com o executivo, as conversas com clientes ao redor do mundo abordam por que as empresas estão firmando contratos de hiperescala, investindo em bancos de dados, contratando engenheiros de dados e criando ou terceirizando modelos de IA, além de formar equipes dedicadas para essas iniciativas. “Por que você está fazendo isso sem alcançar os resultados esperados em termos de precisão e taxa de alucinação? Ou, em vez disso, você pode testar gratuitamente a plataforma da Salesforce e compará-la com o que já possui internamente.”

O desafio, segundo ele, é como apresentar a “Coca-Cola” e a “Pepsi” aos clientes para que experimentem e descubram qual funciona melhor. Em tom irônico, ele acrescentou: “Somos apenas uma pequena startup, com poucos colaboradores – apenas 75 mil –, US$ 38 bilhões em receita e cerca de 30% de margem. E, neste trimestre, geramos mais fluxo de caixa do que a Coca-Cola.”

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*A jornalista viajou a convite da empresa

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