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Lições para a carreira: cometa (bons) erros e aprenda com eles

Twyla Tharp é uma coreógrafa e dançarina norte-americana renomada com centenas de trabalhos bem-sucedidos e prêmios de reconhecimento. Trabalhou com famosos como Bob Dylan e outros gigantes da indústria do entretenimento. Há 20 anos, ela criou o espetáculo Movin' Out, mix de dança contemporânea, rock e outros ritmos, que, como tradicionalmente acontece, estreou em Chicago, nos Estados Unidos.

No dia seguinte do grande dia, a crítica local foi dura com seu espetáculo, alguns diziam que foi um completo desastre, outros que era extremamente difícil entender a mensagem que Twyla queria passar. Mesmo com tantos prêmios em sua estante, ela falhou.

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Usando um exemplo fora da tecnologia ou do setor financeiro, Tim Harford, autor do Bestseller The Undercover Economist, especialista em economia comportamental, apresentador de TV e da rádio BBC, afirmou para a plateia do Ciab, feira de tecnologia bancária que se encerra hoje (23/6), em São Paulo, que há bons e maus erros.

“Seria ótimo estar sempre certo e fazer tudo certo sempre. É ótimo, mas é difícil estar certo. Estar certo o tempo todo é desafiador e as pessoas precisam entender isso”, resumiu. Segundo ele, se uma pessoa quer fazer algo diferente, ou novo, ela vai errar. “Mas temos de aprender a errar. Erros abrem ideias, ensinam, ajudam na criatividade. Por que, então, é difícil colocar na cabeça que errar é bom?”, questionou, emendando que são quatro os motivos, listados a seguir:

1. Pensamento em grupo
Durante uma reunião, você tem uma ótima ideia, mas todos na sala querem seguir por outro caminho. A pressão do grupo faz você desistir dela e seguir a sugestão dos demais. “Não é fácil fazer algo diferente do que todos estão fazendo”, justificou.

O psicólogo polonês Solomon Asch desenvolveu na década de 50 pesquisas sobre a pressão social exercida pelos grupos. A pergunta que ele queria responder era: como e até que ponto as forças sociais moldam opiniões e atitudes das pessoas?

Ele mostrou dois cartões para um grupo, um com uma linha ao meio e outro com três linhas paralelas de diferentes tamanhos, cada uma com uma letra: A, B e C. Eles tinham de olhar a linha vertical da figura à esquerda e encontrar sua correspondente dentre as três linhas da outra figura. A resposta, bastante óbvia e correta, era a letra “C”. Contudo, algumas pessoas começaram a responder “B” e todos os seguintes responderam “B”. Alguns sabiam a resposta correta, mas mentiram para concordar com o grupo. Outros não queria ser os únicos a falar a letra “C”, então cederam à letra “A”. “Não experimentamos, porque não queremos ser os únicos, os diferentes”, observou Harford.

Como mudar isso? Separando grupos, respondeu Harford, e depois juntá-los para que discutam o caminho que será seguido. “Uma única pessoa com uma resposta diferente já é suficiente, mesmo que você diga coisas erras, se disser algo errada diferente de todos já está agregando valor”, refletiu.

2. Feedbacks que não funcionam
Segundo Harford, outro motivo claro para que erros continuem acontecendo é dar feedbacks que simplesmente não funcionam. “Não há problema alguma em errar, mas se não tiver um feedback os mesmos erros se repetem”, observou, completando que erramos e ninguém fala e no fim das contas não sabemos porque erramos.

>> Confira a cobertura completa do evento

3. Feedbacks lentos
A arte de errar tem de seguir a linha de startups: erre, mas erre rápido e arrume o quanto antes. “Encorajo pessoas em novos projetos a pensar que elas vão falhar e elas precisam falhar rapidamente para arrumar logo os problemas. Quanto mais rápido fizer isso, melhor para aprimorar”, aconselhou.

Outro ponto citado por ele foi que é preciso olhar para o passado para aprender com os erros, mas não se lamentar com eles. “É claro que é bom olhar as falhas do passado, mas é horrível olhar para trás e dizer: ‘poderia ter sido diferente’”, pensamento que, segundo ele, leva ao último ponto.

4. Se recusar a aprender
Aprender é parte da vida e pensar que se está certo o tempo todo não leva a lugar nenhum. Para exemplificar esse ponto, Harford retomou o caso de Twyla, a coreógrafa colecionadora de sucessos, mas que em um espetáculo quase acabou com sua carreira. “Seria fácil para ela dizer: ‘eu sei o que estou fazendo, afinal já fui mil vezes bem-sucedida’, mas ela resolveu ouvir as críticas, conversar com amigos especialistas e reformular o espetáculo antes de ir à Broadway”, contou.

O diferencial aqui, ressaltou Harford, foi a sinceridade. “Seus amigos disseram que a crítica estava certa. Ela precisava de um feedback honesto. A questão era como arrumar rapidamente. Foi o que ela fez.”

Então, ela foi para a Broadway e a crítica foi positiva, rendendo a ela dois prêmios. “É fácil ter medo de errar, ter medo do sucesso, mas o interessante é a jornada da falha total ao sucesso”, finalizou propondo uma reflexão.

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Published by
Redação
Tags: Ciab 2016Tim Harford
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