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Investimento em redes indoor: como superar as barreiras

Um dilema, aparentemente sem solução, aflige as operadoras de telecomunicação. Os executivos dessas companhias se perguntam se é possível conciliar atendimento ao crescimento exponencial do consumo de dados móveis com as limitações de investimentos. A boa notícia é que sim — há como se mitigar os custos para atendimento dessa demanda. Algumas operadoras do país já estão fazendo isso de maneira assertiva. No entanto, é importante entender que o caminho é desafiador, pois será preciso aplicar um modelo de negócio mais sofisticado e adotar um desenvolvimento de ecossistema de suporte altamente qualificado.

O modelo de negócio mais viável para investir é conhecido como “neutral host”, e mercados mais maduros do que o brasileiro, com milhares de redes indoor, já o utilizam. Um player neutral host se responsabiliza pelo investimento, design, construção, operação e manutenção das redes, não duplicando, triplicando, ou mesmo quadruplicando tais investimentos. No Brasil essa necessidade já foi percebida pelas operadoras de telefonia celular há alguns anos, resultando em altos investimentos no setor. Porém, é necessário investir muito mais, considerando o grande adensamento nas cidades, a alta penetração de celular no país e o tráfego que não para de crescer.

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Outro ponto importante é que os sistemas de hoje precisam ser construídos pensando no 5G. Não são raros os casos em que redes indoor têm de ser substituídas totalmente, devido à decisões erradas na hora de escolher o tipo de implantação a ser feita. Nesse momento, o barato pode sair caro, impactando diretamente no TCO (Custo total da operação) das empresas de telefonia.

Segundo dados do relatório Mobile Energy Efficiency Mobile Networks: Energy Use & Sustainability 2014, quase 80% do tráfego de dados móveis acontecem em ambientes internos, como shoppings, hospitais, prédios comerciais e hotéis. Esse levantamento reforça a grande necessidade de investimento em redes indoor de qualidade.

Além disso, esse tipo de rede indoor funciona também como offload para a rede macro, ou seja, um sistema que descongestiona o uso de dados externos em locais com alta concentração de pessoas, como estádios de futebol, hospitais, centro de exposições e shoppings. Com esse sistema é possível se beneficiar os dois lados, tanto o usuário que está no ambiente interno consegue uma conectividade maior, quanto quem está fora ou no entorno do local, que não perderá a qualidade de conexão de rede e ligações.

Além da preocupação com o futuro da tecnologia, para que uma implementação seja bem realizada, é preciso tomar cuidado com projetos que não cubram toda a área do empreendimento. Alguns deles focam apenas nas áreas de maior tráfego de um shopping, por exemplo, que são os corredores e a praça de alimentação, deixando vários locais
como megalojas e lojas âncoras, restaurantes maiores nas “áreas gourmet”, áreas administrativas e outras operações importantes que geralmente ocupam áreas maiores no shopping sem cobertura. Isso é extremamente negativo para a experiência dos usuários. Imagine a seguinte situação: você está dentro de uma loja, o seu celular toca, mas a ligação continua caindo. Você sai do estabelecimento para atender e a tendência é não voltar para continuar sua compra. Todos são prejudicados.

Uma implantação bem feita de sistema DAS (distributed antenna system) gera inúmeras melhorias, já que um dos principais objetivos das Neutral Hosts é atender a necessidade de reforço da rede da operadora, porém endereçando também as demandas do empreendimento de forma criativa, o que pode gerar economia no consumo de energia, utilização de espaço e necessidade de equipamentos instalados.

É possível saber precisamente a melhoria que ocorre com a chegada de uma rede indoor ao comparar o antes e depois. Em muitos casos essas redes chegam a custar às operadoras menos do que um site outdoor de alto valor de aluguel, e ainda trazem o benefício de escoar muito mais tráfego e conseguir atender muito mais gente. Além disso, o Opex (despesas operacionais) de um site outdoor para as operadoras pode sofrer com atos de vandalismo, o que não acontece em sites indoor.

Outro aspecto que precisa ser lembrado é a combinação de operação e manutenção – redes indoor demandam monitoramento, visitas constantes para ajustes do sistema, interface com operadoras para rápida detecção de falhas e atenção constante aos alarmes. Ambientes indoor estão sujeitos a constante adequação da sua rede DAS por mudanças arquitetônicas, como expansão de shoppings, remodelamento de hotéis ou escritórios e, com isso, estão sempre sujeitos ao rompimento de cabos ou deslocamento de antenas. Portanto, as operadoras devem exigir de seus parceiros alta capacidade de operação e manutenção, tal qual elas demandam para suas redes outdoor, caso contrário, é se jogar dinheiro fora.

É importante ressaltar que a entrada das neutral hosts no mercado possibilitou a ponte entre operadoras e empreendimentos, um relacionamento extremamente complexo de se manter, mas que oferece às empresas de telefonia um parceiro dedicado na relação com tais empreendimentos. Por fim, para que tudo isso funcione de maneira correta e com excelência, as operadoras devem exigir que as neutral hosts tenham habilidade e capacitação para performar como elas esperam.

*Por André Machado, presidente da QMC Telecom no Brasil. Possui 25 anos de experiência no setor, atuando em posições de alta gestão nos últimos 11 anos. Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Mackenzie, possui especialização em gestão de negócios pela London Business School, pela Indian School of Business e pela Stanford Graduate School of Business.

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Published by
Ana Gabriela De Callis
Tags: redes
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