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Inteligência artificial no conselho: como capturar retorno em projetos de IA

Por Rodrigo Silva

Nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser um tópico restrito às áreas de tecnologia e passou a ocupar espaço relevante nas discussões de conselhos de administração e comitês executivos. A promessa de eficiência, inovação e diferenciação competitiva é clara, mas junto dela surge a questão central: como capturar retorno em projetos de IA de forma prática, mensurável e alinhada ao negócio?

Para além do entusiasmo tecnológico, conselhos e executivos precisam traduzir projetos de IA em métricas que dialoguem com a estratégia da companhia. Isso significa falar a linguagem dos resultados: eficiência, receita e posicionamento competitivo.

Leia também: “Falhe rápido, falhe cedo e falhe com frequência”: a receita Pixar para inovar

Retorno operacional: eficiência que se transforma em valor

Uma das formas mais tangíveis de capturar retorno está na redução de custos e no aumento da eficiência operacional.

Exemplo prático:

Empresas que implantam chatbots inteligentes conseguem reduzir significativamente o volume de chamados em centrais de atendimento. Isso diminui o tempo médio de resposta e libera equipes humanas para lidar com casos de maior complexidade.

Medição:

  • Custos antes e depois da implementação.
  • Horas de trabalho economizadas.
  • Ganhos de produtividade por colaborador.

O impacto é direto no resultado operacional, trazendo benefícios rapidamente percebidos pelo conselho.

Retorno comercial: IA como motor de receita

Outra dimensão essencial é a capacidade da IA de gerar novas receitas e ampliar a satisfação do cliente.

Exemplo prático:

  • E-commerce que adota modelos de recomendação personalizada observa aumento do ticket médio e da taxa de conversão.
  • Bancos e fintechs que oferecem recomendações personalizadas de produtos elevam a retenção e o engajamento dos clientes.

Medição:

  • Incremento em vendas por cliente.
  • Aumento da taxa de conversão em jornadas digitais.
  • Melhoria nos indicadores de satisfação e fidelização, como o NPS (Net Promoter Score).

Esse tipo de retorno conecta diretamente IA à linha de receita da empresa, traduzindo tecnologia em crescimento.

Retorno estratégico: posicionamento no mercado

Finalmente, há o retorno de caráter mais estratégico, ligado ao posicionamento da empresa frente a concorrentes e ao mercado.

Exemplo prático:

Companhias que usam IA para análise preditiva de demanda conseguem antecipar movimentos de mercado, ajustar estoques e tomar decisões de supply chain de forma mais assertiva. Isso não apenas reduz riscos, mas também aumenta a capacidade de capturar oportunidades.

Medição:

  • Redução do tempo de resposta às mudanças do mercado.
  • Ganhos em participação de mercado.
  • Evolução em rankings de inovação e percepção de marca.

Aqui, a IA não gera apenas ganhos financeiros imediatos, mas fortalece a posição da empresa no longo prazo.

Governança e alinhamento estratégico

Para que esses retornos sejam capturados de forma consistente, três pontos críticos devem estar no radar do conselho:

Definição de métricas desde o início
  • ROI, redução de custos, aumento de receita, satisfação do cliente.
  • Indicadores claros e acordados entre áreas de negócio e tecnologia.
Processo de governança robusto
  • Acompanhamento desde o piloto até a fase de escala.
  • Monitoramento contínuo de resultados, ajustes de rota e gestão de riscos.
Conexão com a estratégia da companhia
  • Projetos de IA devem ser avaliados não apenas como avanços tecnológicos, mas como iniciativas que suportam objetivos corporativos.
  • A IA precisa estar na mesma linguagem dos executivos: eficiência, crescimento e vantagem competitiva.

Conclusão: IA como investimento estratégico

A Inteligência Artificial precisa ser encarada pelos conselhos não apenas como uma tendência tecnológica, mas como um investimento estratégico de longo prazo, capaz de sustentar a competitividade das organizações em cenários de alta complexidade e transformação digital acelerada. Capturar retorno em projetos de IA não se resume a implementar soluções isoladas, mas a estruturar iniciativas que entreguem valor de forma consistente em três dimensões complementares: eficiência operacional, crescimento de receita e posicionamento competitivo.

Isso exige que o conselho adote uma postura ativa, acompanhando a definição de indicadores claros desde a concepção dos projetos, assegurando que a governança permita medir resultados tangíveis em cada fase e garantindo que a IA esteja conectada diretamente à estratégia corporativa. Mais do que buscar ganhos imediatos, trata-se de construir uma visão de futuro na qual a IA se torna parte integrante da tomada de decisão e da diferenciação no mercado.

Ao alinhar métricas financeiras e de inovação com os objetivos estratégicos, conselhos e executivos criam as condições para que a AI deixe de ser apenas uma promessa tecnológica e se consolide como alavanca concreta de valor, resiliência e vantagem competitiva sustentável. O verdadeiro retorno não está apenas no resultado do próximo trimestre, mas na capacidade da empresa de se reinventar continuamente em um mundo orientado por dados e inteligência.

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