A Intel voltou a garantir que seguirá adiante com a construção de sua megafábrica de semicondutores em Ohio, nos Estados Unidos, mesmo após confirmar que a inauguração só deve ocorrer em 2030, sete anos depois do prazo inicialmente previsto. O projeto, batizado de Ohio One, foi anunciado em 2022 como símbolo da estratégia de reindustrialização dos EUA e chegou a contar com a presença do então presidente Joe Biden na cerimônia de inauguração das obras.
Segundo a Bloomberg News, o novo adiamento gerou pressão no Congresso. O senador republicano Bernie Moreno enviou uma carta ao CEO da Intel, Lip-Bu Tan, cobrando transparência sobre os motivos da demora e pedindo um relatório sobre o impacto econômico para o estado. Segundo ele, o governo de Ohio já concedeu US$ 2 bilhões em incentivos fiscais e investiu outros US$ 700 milhões em infraestrutura para viabilizar o empreendimento.
Moreno afirmou querer evitar que “os contribuintes sejam enganados” e solicitou à empresa propostas de compensação em razão do atraso.
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Em comunicado divulgado em 30 de setembro, a Intel declarou que continua “comprometida em avançar a liderança dos EUA em tecnologia e manufatura”, ressaltando que mantém diálogo próximo com autoridades locais e estaduais. A companhia destacou ainda que o projeto segue parte central de seus planos de longo prazo para ampliar a produção de chips de ponta em território norte-americano, mas acrescentou que os prazos podem ser ajustados conforme a demanda do mercado.
A postergação é vista como um revés não apenas para a Intel, que enfrenta queda nas vendas e prejuízos crescentes, mas também para a estratégia nacional de semicondutores. O governo dos EUA aposta no Chips and Science Act, aprovado em 2022, para reduzir a dependência de fornecedores asiáticos e estimular a produção doméstica.
Recentemente, a administração Trump anunciou a compra de 10% de participação na Intel, acordo fechado logo após encontro entre o presidente e o CEO da companhia. A injeção de recursos, somada a investimentos da Nvidia e da SoftBank, ajudou a valorizar em mais de 66% as ações da Intel em 2025.
O projeto Ohio One foi planejado para se tornar o maior complexo de semicondutores do mundo, reforçando a competitividade dos EUA frente a rivais como Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) e Samsung. Contudo, com a nova previsão de conclusão apenas em 2030, cresce a incerteza sobre a capacidade da Intel de liderar a retomada industrial no ritmo esperado pelo governo e pelo mercado.
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