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A implementação do 5G e a economia circular

O cronograma de implementação do 5G no Brasil está atrelado a um planejamento meticuloso e abrangente, pensado para garantir que essa revolução tecnológica alcance todos os cantos do país. Cidades com diferentes configurações demográficas estão sendo contempladas em etapas, de modo que haja uma adaptação gradual e eficiente à nova infraestrutura.

Nos próximos anos, a densidade de ERBs (Estação Rádio Base) será ampliada nas regiões mais populosas. Até julho de 2025, as capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes contarão com uma ERB para cada 10 mil, o que proporcionará uma cobertura robusta e abrangente. Até 2029, todas as cidades com mais de 30 mil habitantes terão essa mesma densidade de ERBs, culminando em uma conectividade sem precedentes no nosso país.

Além das melhorias quantitativas, o 5G também traz incrementos qualitativos. Com uma velocidade média de download de 446,91 Mbps (megabits por segundo) e uma velocidade média de upload de 33,60 Mbps, o Brasil supera as médias europeias e americanas. Esse desempenho está alinhado ao potencial disruptivo do 5G, que promete impulsionar a economia, fomentar inovações tecnológicas e transformar diversos setores profundamente.

Leia mais: Network Slicing é solução para monetização do 5G

No entanto, a implementação do 5G também traz desafios. O desligamento das redes 2G e 3G, apesar de estar em andamento, não é uma transição simples. A necessidade de compatibilidade com dispositivos mais antigos, como maquininhas de cartão e rastreadores veiculares, requer que o processo seja gradual e inclusivo.

Por isso, o Grupo de Acompanhamento da Implementação das Soluções para os Problemas de Interferência (Gaispi) na Faixa de 3.625 a 3.700 MHz (megahertz) desempenha papel fundamental para uma transição harmoniosa. Os seis grupos técnicos que fazem esse trabalho abordam diversos aspectos, incluindo questões financeiras e o atendimento a demandas específicas, como o Programa Amazônia Integrada e Sustentável.

Conforme as empresas de telecomunicações estão atualizando as redes para o 5G, elas mantêm as pegadas 4G LTE (tecnologia em inglês, Long Term Evolution). Isso impõe a necessidade de reduzir os fluxos de resíduos conectados à infraestrutura de rede, particularmente, à medida que desativam as tecnologias legadas e reduzem o descarte de resíduos eletrônicos provenientes de centros de dados e dispositivos.

No entanto, a descarbonização não pode acontecer apenas no nível das instalações ou das operações; ela precisa ocorrer em toda a cadeia de valor, começando pelas estratégias corporativas e com as decisões de aquisição sustentáveis. Uma abordagem de economia circular enfatiza a preservação de produtos, materiais e recursos pelo maior tempo possível, por meio da maximização do ciclo de vida do produto e da minimização do desperdício, para promover uma economia regenerativa e restauradora. Essa abordagem impacta diretamente as emissões de gases de efeito estufa das empresas de telecomunicações encontradas em toda cadeia de valor das operações.

Os fabricantes de equipamentos, as prestadoras de serviços e os governos também precisarão colaborar para que a economia circular se torne viável. Vários países europeus estão desenvolvendo normas e metodologias para integrar modelos de negócio circulares ao setor de tecnologia da informação e Comunicação, tais como a redução de materiais enviados para aterros ou a reinjeção de materiais em diferentes pontos das cadeias de valor.

No Brasil, o Acordo Setorial de Logística Reversa de Eletroeletrônicos representa um avanço importante da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabeleceu a obrigatoriedade da logística reversa para produtos eletroeletrônicos e a participação de fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes dos destes produtos, e do Programa Lixão Zero. As empresas de telecomunicações podem aproveitar essas ferramentas e o conhecimento existentes, talvez até avançando no desenvolvimento de próprios modelos circulares e assim reduzir suas pegadas globais de carbono.

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* Márcio Kanamaru é sócio-líder de tecnologia, mídia e telecomunicações da KPMG no Brasil e na América do Sul e Felipe Salgado é sócio-diretor de descarbonização da KPMG no Brasil

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