A portaria do governo brasileiro que institui o Regime de
Tributação Unificada (RTU) para produtos procedentes do Paraguai, pode
representar um problema para a indústria brasileira. Isso porque, ao instituir
um imposto de apenas 42,25% para itens procedentes do país vizinho, o Brasil deve
motivar a criação de uma rota alternativa de entrada para os equipamentos de
informática, bem como de partes e peças para computadores.
O principal temor é de que fabricantes asiáticos passem a utilizar o território paraguaio como porta de entrada para
seus produtos no Brasil – praticando uma tarifa bem menor do que a utilizada
para equipamentos vindos da China e de Taiwan, por exemplo -, o que deve
motivar uma concorrência ainda mais acirrada aos produtos brasileiros.
A decisão também contraria o próprio discurso do governo
brasileiro que, após a MP do Bem e o Computador para Todos, tinha ganho a
confiança da indústria nacional de equipamentos de informática e vivia uma verdadeira lua-de-mel com o setor.
No caso dos canais de distribuição de informática, o grande sinal de alerta
de todo esse cenário está no fato de que a facilidade de as indústrias
estrangeiras entrarem no Brasil por meio de território paraguaio represente um
retrocesso à evolução recente no relacionamento entre fabricantes, revendas e
integradores, a qual foi motivada, entre outros fatores, pela própria
maturidade da indústria local.
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