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Informática pública: estratégica e mais barata para o Estado

A infra-estrutura do terceiro milênio será a estrutura das telecomunicações. Hoje, o comércio é de inteligência. A venda de um software gera muito mais recursos – e sem problemas ambientais – do que um produto manufaturado, por exemplo.

O Brasil, um país que ainda é colonizado economicamente, paga bilhões de dólares em royalties, incluídas as licenças de uso e que se constituem em parcela significativa do balanço de pagamentos. Nesse contexto, torna-se fundamental que o Estado detenha em suas mãos, de alguma forma, um núcleo de conhecimento na área da tecnologia da informação.

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Na década de 60, quando surgiram as companhias estaduais de processamento de dados, o papel dessas empresas foi muito mais de cunho operacional. Foi quando deu-se a largada no processo de informatização do Estado e iniciou-se, inclusive, a formação de gerações de profissionais da área que, depois, vieram suprir o mercado privado.

Era o tempo da máquina de escrever, do livro-caixa, da folha de pagamento manual, tempos em que a arrecadação pública era realizada pelas chamadas “colectorias”.

Dos velhos mainframes de cartões perfurados aos mainframes atuais, hoje integrados aos micro computadores e novos sistemas, a informatização pública galgou degraus mais avançados, alcançando o estágio dos governos eletrônicos, enquanto, no setor privado, o estágio é o do E-business, crescente e sofisticando-se dia a dia.

Se o Estado é cada vez mais engolido pela tendência neoliberal e a imagem das estatais é cada vez mais desgastada, não se pode, porém, sepultar o papel e a importância das empresas estaduais de processamento, desde tempos passados, às novas exigências do milênio.

Em Minas Gerais, no atual governo estadual, é voz corrente a importância da manutenção de empresas estratégicas, como a Prodemge, na área de processamento de dados. Cobra-se, por outro lado, a sua boa administração e por resultados. O Estado, insisto, precisa ter o domínio de informações estratégicas e preservar um núcleo de conhecimento e de criação/desenvolvimento de software, além da produção de sistemas.

Do ponto de vista econômico-financeiro, a centralização de dados e de seu processamento em uma única empresa, é também uma vantajosa opção. Trata-se de um modelo adotado, inclusive, por grandes corporações multinacionais.

É o caso da Telemar (antiga Telemig), por exemplo, que centralizou em Belo Horizonte todo o processamento de dados dos 16 estados em que opera, em especial, seu sistema de faturamento. Caso contrário, teria de gastar com 16 equipes, equipamentos para 16 unidades, instalações especiais e seguras – à prova de fogo, por exemplo – para as mesmas 16 unidades, e assim por diante. É o ganho de escala.

No caso do Estado, centralizar o processamento e os bancos de dados – operações dos Detrans, cadastros de contribuintes, arrecadação, folhas de pagamento, dados para carteiras de identidade, arquivos criminais, entre inúmeros outros – significa uma economia, estimo, de no mínimo 100% em Minas Gerais, caso tal processamento fosse distribuído pelos diversos órgãos, a cargo de estruturas próprias ou terceirizadas.

Um outro papel que começa a ser explorado pelas empresas estaduais é de servirem de Data-Center para o governo, integrando as mais diversas plataformas e oferecendo segurança, redundância, back-up e boa conectividade.

No caso da Prodemge, hospedamos mais de 70 sites do E-gov mineiro, temos mais de 12 Mb contratados de banda para conexão IP, e estamos atraindo cada vez mais novos servidores dos órgãos públicos para o novo ambiente, protegido e com equipes 7×24.

Cabe, contudo, ao mercado privado, importante papel em relação às administrações públicas, atuando em parceria e prestando serviços às empresas estaduais de processamento, ou diretamente aos órgãos públicos. Há espaço e lugar adequado para todos e ainda há muito o que se fazer no setor.

Antonio Carlos Passos de Carvalho, presidente da Companhia de Processamento de Dados do Estado de Minas Gerais, Prodemge, e do Conselho de Informática do Estado de Minas Gerais, Ciemg

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Redação
24 anos ago

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