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“Chegamos à era da IA útil”, diz CEO da Nvidia

Há pelo menos quatro anos que a inteligência artificial tem mexido com as estruturas do mercado e provocado mudanças em todos os setores. Desde automação de tarefas e alfabetização de funcionários até demissões em massa e ganhos de produtividade. O fenômeno, comparado por Michael Dell, CEO da Dell Technologies, à chegada da energia elétrica, passou por diversas fases. E após um período de hype, parece ter chegado a um estágio de maturidade.

Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirma que a inteligência artificial chegou a um novo estágio: o da utilidade real. Ao lado de Michael Dell, na abertura do Dell Technologies World 2026*, em Las Vegas, nesta segunda-feira (18), Huang diz que, após anos de experimentação, a tecnologia já é capaz de raciocinar, planejar, utilizar ferramentas e operar de forma autônoma.

“Há dois anos, quando estive aqui, tínhamos acabado de iniciar nossa jornada com a IA generativa. Mas foi só com a chegada do raciocínio que evoluímos para o planejamento e, por fim, aos sistemas agênticos. E agora temos, pela primeira vez, uma inteligência artificial verdadeiramente útil”, diz o executivo.

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Para Huang, o diferencial desse momento está na capacidade da tecnologia de ir além da geração de conteúdo: compreender, raciocinar, planejar, usar ferramentas e analisar resultados. A Nvidia, segundo ele, já acelera processos internos de desenvolvimento e pesquisa com agentes de IA — e Huang acredita que o mesmo padrão se repetirá em qualquer profissão. “Hoje, um engenheiro realmente competente trabalha em conjunto com um único agente de IA. No futuro, um engenheiro verdadeiramente excepcional será aquele capaz de orquestrar um conjunto inteiro de agentes — os quais, por sua vez, orquestrarão uma série de subagentes”, afirma.

O cenário também alimenta as expectativas do mercado em relação à empresa. Em maio deste ano, o valor de mercado da Nvidia era de cerca de US$ 5,7 trilhões, o maior já registrado por uma companhia de capital aberto. Quanto mais agentes em operação, maior a demanda por processamento computacional — o principal produto da Nvidia. Huang admite que o momento mudou sua visão. “Eu queria ser alguém, fazer algo, dar a minha contribuição — mas esse era o velho Jensen. O novo Jensen tem grandes ambições”, declara, sem dar mais detalhes.

Nova fase da parceria

No evento, Huang e Dell apresentam as novas soluções da AI Factory desenvolvidas em conjunto, de desktops a data centers, como parte de uma estratégia para cobrir todo o ciclo da IA agêntica, do desenvolvimento à escala. Durante a apresentação, os dois CEOs assinam um dos equipamentos em gesto simbólico que marca a nova etapa da parceria. Para Michael Dell, o objetivo é tornar os benefícios da tecnologia acessíveis a organizações de todos os portes. “A IA pode se tornar a tecnologia mais concentradora da história, ou a mais democrática. Nós escolhemos a democratização”, diz.

*A jornalista viajou a convite da Dell Technologies

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