Alexandre Benedetti, da LANDTech, e Paulo Saliby, da SG Comp Partners. Fotos: Divulgação
Entre 2024 e 2025, CTOs registraram valorização salarial de 15,2%, superando o crescimento de 13,7% dos CEOs, em um movimento que reposiciona a liderança técnica como improtante eixo de decisão nas empresas. Os dados são do levantamento “Executivos de Tecnologia no Brasil: Salários, Benefícios e Tendências 2025-2026”, da LANDtech, empresa do Talenses Group especializada no recrutamento de profissionais de TI e Digital.
O estudo cruzou referências de consultorias de recrutamento e dados públicos disponibilizados em plataformas como Monday, com foco no perfil executivo de multinacionais atuantes no Brasil — de pequeno, médio e grande portes —, contemplando profissionais com cerca de 15 a 20 anos de experiência, formação superior e MBA completo, na faixa etária de 38 a 50 anos. Os dados internos específicos do Talenses Group foram embasados em aproximadamente cem conversas com profissionais. Os números apontam que a inteligência artificial (IA) é hoje o principal vetor de aceleração salarial no mercado executivo de tecnologia.
Essa valorização mais acelerada dos CTOs, no entanto, não significa que eles já ultrapassaram os CEOs em termos absolutos de remuneração. Em determinados contextos, um CTO pode apresentar uma progressão salarial mais acelerada do que um CEO — ou mesmo um COO — ao longo do tempo. Ainda assim, a remuneração do CEO segue superior em termos absolutos.
A pergunta que paira sobre os departamentos de RH e as salas de conselho é se a valorização salarial dos CTOs frente aos CEOs é uma tendência ou uma bolha inflada pelo hype da IA?
Para Alexandre Benedetti, diretor-geral da LANDTech, a resposta para esse novo cenário demanda precisão analítica. “Esse movimento está muito associado à dinâmica de oferta e da demanda, especialmente diante da aceleração da IA e da escassez de lideranças capazes de conduzir essa agenda”, afirma. Mas é importante fazer um recorte, completa ele. “Essa valorização não se aplica a qualquer CTO, mas aos executivos que conseguem transformar tecnologia e inovação em alavancas concretas de negócios”, pondera.
O executivo mais cobiçado hoje não é o guardião da infraestrutura. É o arquiteto da estratégia. O CTO que conecta inteligência artificial, crescimento, eficiência operacional e geração de valor passou a orbitar a agenda do CEO de forma inédita, participando das decisões mais críticas da corporação.
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