Falcão Oliveira, presidente da IFS na América Latina. Imagem: Divulgação
O Brasil vive um dos maiores ciclos de investimento em inteligência artificial já registrados. A IDC projeta que o País deve movimentar US$ 3,4 bilhões em IA em 2026, alta superior a 30% em relação ao ano anterior. Na América Latina, a cifra chega a US$ 10 bilhões, com o Brasil respondendo por quase metade do montante. Apesar do apetite, o presidente da IFS na América Latina, Falcão Oliveira, avalia que boa parte das iniciativas de IA agêntica na indústria esbarra em obstáculos estruturais antes de chegar ao processo real.
“O maior desafio não é ter uma IA poderosa, é ter uma IA que consiga realmente executar o processo industrial. É aí que quase todas as iniciativas param”, afirma o executivo.
Segundo Oliveira, as dores da indústria vão além de orçamento ou desconhecimento tecnológico. A primeira barreira é que a maioria das IAs disponíveis no mercado se sai bem em análise e recomendação, mas não consegue atuar dentro de sistemas como ERP, FSM ou EAM, ficando incapaz de executar etapas essenciais de processos industriais ou de serviços de campo. “Essa desconexão faz com que muitos projetos se tornem pilotos eternos. Começam bem, mas não chegam à operação”, diz.
Outro entrave apontado pelo executivo é a fragmentação tecnológica, que ele descreve como uma “colcha de retalhos” formada ao longo dos anos: ERPs que não conversam com plataformas de IA, automações isoladas, integrações frágeis e soluções externas que aprendem partes do processo sem compreendê-lo por completo. “Quando a IA aprende processos fora do cenário de negócios da corporação, a empresa perde o domínio sobre o seu próprio conhecimento”, avalia.
Oliveira cita ainda a escassez de especialistas, a ausência de governança adequada e a dificuldade de medir o retorno sobre o investimento como fatores que emperram a adoção justamente nos setores em que o impacto seria maior, casos de manufatura, utilities, telecomunicações, construção, logística e operações de campo.
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Diante desse cenário, o executivo defende a integração nativa entre a IA e o núcleo operacional das empresas, eliminando camadas intermediárias e reduzindo a dependência de plataformas externas. Na visão dele, a IA embarcada diretamente no ERP e nas soluções de operações permite que agentes executem tarefas de ponta a ponta, com trilha de auditoria, governança e entendimento das restrições do negócio, de SLAs a geografia, compliance e disponibilidade de recursos.
A estratégia da IFS nessa frente se apoia em três produtos: o IFS.ai Embedded, com mais de 200 cenários industriais de IA nativos; o IFS Loops, plataforma que cria agentes de IA para executar processos completos, os chamados digital workers, que já somam mais de dez perfis especializados por indústria, incluindo um lançado neste mês para serviços de campo; e o Agent Studio com o Nexus Black, apresentados pela companhia como aceleradores de adoção de IA industrial em ambiente controlado.
“Enquanto vários fornecedores agora correm para fechar seus sistemas por receio de que a IA externa aprenda seu core, nós escolhemos outro caminho desde o início. Criamos uma IA proprietária e embarcada porque sabíamos que, na indústria, conhecimento operacional é patrimônio”, afirma Oliveira.
O executivo relata que clientes brasileiros da IFS já aplicam IA agêntica na operação. A operadora de telecomunicações Unifique, provedora independente de fibra óptica com atuação concentrada na Região Sul, usa a tecnologia para melhorar o planejamento e o agendamento de serviços de campo, com ganho de previsibilidade em SLAs e redução de replanejamentos manuais, segundo Oliveira.
Outro exemplo citado é a Metalfrio, fabricante de equipamentos de refrigeração comercial, que adotou os algoritmos de otimização da companhia para tornar a operação de field service mais eficiente. “Em ambos os casos, o fator determinante foi o mesmo: IA que entende o processo e executa dentro do próprio stack, com governança e auditabilidade”, diz o presidente da IFS na América Latina.
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