IA acelera inovação em bens de consumo e desenvolvimento de produtos

L'Oréal, Nestlé, Mondelez e Haleon usam inteligência artificial para reduzir ciclos de pesquisa, criar fórmulas e otimizar cadeias de suprimentos

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Nestlé
Imagem: shutterstock

A inteligência artificial está deixando de ser uma ferramenta voltada apenas para atendimento ao cliente ou marketing e passando a ocupar um papel estratégico na pesquisa e desenvolvimento de produtos de consumo. Empresas globais dos setores de alimentos, higiene e cosméticos estão incorporando modelos de IA para acelerar a criação de novas fórmulas, testar ingredientes, reduzir custos e responder com mais rapidez às mudanças no comportamento dos consumidores.

Segundo reportagem da Reuters, fabricantes como L’Oréal, Nestlé, Haleon e Mondelez já utilizam inteligência artificial em diferentes etapas da inovação de produtos, desde a identificação de novos ingredientes até a otimização de receitas e da cadeia de suprimentos. A adoção ocorre em um momento em que a indústria enfrenta pressão para lançar novidades com maior velocidade, ao mesmo tempo em que busca ganhos de eficiência e redução de despesas operacionais.

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Um dos exemplos apresentados é o da L’Oréal. A companhia francesa utiliza inteligência artificial em seus laboratórios há cerca de quatro anos para prever como diferentes moléculas podem atuar sobre pele e cabelos. Com esse processo, pesquisadores passaram a identificar aplicações alternativas para ingredientes já conhecidos.

De acordo com a Reuters, uma das inovações recentes foi a adaptação de moléculas originalmente empregadas em produtos para cuidados com a pele para o desenvolvimento de um xampu com colágeno voltado ao aumento de volume dos cabelos. Segundo a empresa, o uso da IA permitiu multiplicar por quatro a velocidade de criação de novos produtos em comparação com os processos tradicionais.

A iniciativa faz parte de um programa lançado pelo CEO Nicolas Hieronimus para acelerar o ritmo de inovação da fabricante após um período de crescimento mais lento nas vendas globais, informou a Reuters

IA reduz tempo de desenvolvimento e amplia possibilidades de formulação

Na indústria de alimentos, a Mondelez também ampliou o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de produtos. Segundo a Reuters, a empresa utiliza modelos capazes de gerar propostas de receitas, inclusive combinações pouco convencionais, que depois são avaliadas e refinadas por especialistas da companhia.

Além de acelerar a criação de novos alimentos, a tecnologia ajuda a ajustar fórmulas para responder às preferências dos consumidores, reduzir dependência de determinados fornecedores e tornar a cadeia de suprimentos mais resiliente.

A Reuters informa que a ferramenta contribuiu para o desenvolvimento do biscoito Golden Oreo sem glúten e para a reformulação da receita do Chips Ahoy. Dados apresentados pela companhia indicam que, na categoria de biscoitos, aproximadamente 60% das receitas produzidas com apoio da IA apresentaram desempenho superior em critérios como valor nutricional, sustentabilidade e custos de produção.

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Segundo executivos da Mondelez ouvidos pela Reuters, a principal mudança promovida pela inteligência artificial não está apenas na geração de novas ideias, mas na redução do tempo necessário para transformá-las em produtos comerciais. Projetos que antes levavam meses passaram a ser concluídos em semanas, enquanto iniciativas mais complexas tiveram seus ciclos reduzidos de anos para meses.

A Haleon, fabricante de marcas como Sensodyne, e a Nestlé também vêm empregando inteligência artificial para acelerar processos de pesquisa e inovação. De acordo com a Reuters, as aplicações incluem geração de conceitos para novos produtos, avaliação de ingredientes e identificação de riscos na cadeia global de abastecimento.

O avanço dessas iniciativas mostra uma mudança na forma como empresas de bens de consumo utilizam inteligência artificial. Em vez de concentrar investimentos apenas em automação administrativa ou atendimento ao consumidor, as organizações passaram a integrar a tecnologia diretamente às áreas de pesquisa, desenvolvimento e engenharia de produtos.

Essa transformação também altera o papel das equipes técnicas. Em vez de substituir pesquisadores, químicos ou especialistas em alimentos, os modelos de IA funcionam como ferramentas de apoio para explorar combinações de ingredientes, testar hipóteses e reduzir o número de experimentos físicos necessários antes da validação final.

Segundo a Reuters, executivos das empresas destacam que a decisão final sobre fórmulas e produtos continua sendo tomada por especialistas humanos, enquanto a inteligência artificial amplia a capacidade de análise e acelera etapas do processo de inovação.

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A redação contempla textos de caráter informativo produzidos pela equipe de jornalistas do IT Forum.

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