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Governo Trump avalia adquirir 10% da Intel em troca de subsídios do Chips Act

A administração de Donald Trump está em negociações para assumir uma fatia de 10% da Intel por meio da conversão de subsídios do Chips Act em participação acionária, segundo informações da Bloomberg News. O pacote de incentivos previsto para a empresa, de aproximadamente US$ 10,9 bilhões, seria suficiente para cobrir a fatia, avaliando a participação em torno de US$ 10 bilhões.

Apesar de recentes altas nas ações devido às expectativas de apoio federal, os papéis da Intel encerraram o pregão de segunda-feira (18) em queda de 3,7%. Analistas apontam que um aporte do governo poderia dar fôlego à divisão de fundição, que acumula prejuízos, mas os desafios estruturais permanecem, incluindo um portfólio de produtos considerado fraco e dificuldades em atrair clientes para suas novas fábricas.

A medida também sinaliza uma mudança de postura do governo norte-americano em relação à indústria de semicondutores, reforçando a importância estratégica da produção local diante da competição com a China.

Leia também: Databricks projeta nova fase no Brasil com expansão e fortalecimento de parceiros

Encontro com o presidente

As discussões ganharam força após uma reunião entre o novo CEO da Intel, Lip-Bu Tan, e Donald Trump. O encontro foi provocado pela pressão do presidente para que Tan deixasse o cargo devido a suas ligações anteriores com empresas chinesas. Apesar disso, Trump classificou a conversa como “muito interessante”.

A Bloomberg já havia noticiado na semana passada que o governo avaliava comprar participação na Intel, em linha com a política de Trump de intervir diretamente em setores considerados estratégicos, como semicondutores e terras raras.

De acordo com a Reuters, Trump vem defendendo acordos de bilhões de dólares com empresas como Nvidia e MP Materials, buscando garantir acesso a tecnologias críticas e minerais essenciais. A estratégia tem sido vista como um movimento para dar aos Estados Unidos maior controle sobre cadeias produtivas estratégicas.

Especialistas do mercado apontam, no entanto, preocupações sobre o impacto desse tipo de intervenção no livre mercado. “As empresas estão colaborando de forma pragmática, mas veem esse cenário como possivelmente temporário”, afirmou Clark Geranen, da CalBay Investments.

Paralelo com a crise de 2008

A possibilidade de entrada do governo como acionista não é inédita. Durante a crise financeira de 2007 a 2009, os Estados Unidos compraram participação em empresas como a General Motors, posição desfeita apenas em 2013.

No caso da Intel, o apoio federal já vinha sendo expressivo. No ano passado, a companhia recebeu quase US$ 8 bilhões em subsídios para a construção de fábricas em Ohio e outros estados, projeto idealizado pelo ex-CEO da Intel Pat Gelsinger para recuperar a liderança na fabricação de chips. Tan, entretanto, reduziu o ritmo dessas obras, preferindo alinhar a expansão à demanda real, o que pode gerar atrito com a visão de Trump de acelerar a produção doméstica a qualquer custo.

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