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Google ignora própria política em vídeos com desinformação climática, acusa CAAD

Um relatório divulgado na terça (2) pela coalizão Climate Action Against Disinformation (Ação Climática contra a Desinformação, ou CAAD, em tradução livre) revelou que o Google não tem aplicado sua própria política de desmonetização de vídeos do YouTube que contenham desinformação climática. Segundo a iniciativa, a política do Google não pune conteúdo enganoso que já obteve milhões de visualizações.

O estudo foi divulgado primeiro pelo The New York Times na terça-feira (2) e repercutiu na mídia americana.

Segundo a CAAD, cerca de 200 vídeos foram analisados pelos pesquisadores e totalizam mais de 73 milhões de visualizações. Cerca de 100 deles violam regras de desinformação climática do próprio Google, e tem pelo menos 18 milhões de visualizações. Outros 100 atendem à definição da CAAD de desinformação climática, mas estão fora da definição estabelecida pelo Google, e tem 55 milhões de visualizações.

Segundo a entidade, até o fim do período de análise apenas oito vídeos foram desmonetizados. Os vídeos que permaneceram monetizados obtiveram pelo menos 71 milhões de visualizações.

“As empresas de tecnologia fazem grandes promessas em relação ao ódio e à desinformação porque sabem que é difícil verificar se as cumpriram. Precisamos forçar o Google a abrir a caixa preta de seu negócio de publicidade”, diz em comunicado enviado à imprensa Callum Hood, chefe de pesquisa do Center for Countering Digital Hate. O CAAD pede que a big tech aplique sua definição contra desinformação climática monetizada, e considere a adoção da definição mais abrangente de desinformação climática – conceito que abarca o green washing (discursos falsos ou incorretos para vender imagens positivas), falsificação e ataques a soluções climáticas.

“O Google está apoiando a desinformação sobre o clima que eles dizem querer acabar”, disse Erika Seiber, porta-voz de desinformação sobre o clima da Friends of the Earth. “A desinformação persiste porque é lucrativa, e a Big Tech precisa remover esse incentivo.”

O lançamento do relatório ocorre em data próxima ao anúncio, pela União Europeia, de uma regulação mais rígida para as chamadas big techs. Como consequência, ressalta a CAAD, deve obrigar o Google a avaliar e relatar riscos algorítmicos, além de 18 outras empresas. Em quatro meses, essas empresas deverão cumprir requisitos de responsabilidade e transparência, incluindo contra a desinformação.

Um arquivo com os dados do estudo pode ser baixado nesse link.

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