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Futuro da agricultura brasileira é digital e mais que promissor

Dias atrás, enquanto revisava cadernos antigos, encontrei algumas anotações pessoais de uma reportagem sobre o fechamento da safra de 2009/2010, com140 milhões de toneladas de grãos colhidos no Brasil. Dez safras se passaram e, segundo a CONAB [Companhia Nacional de Abastecimento], dobramos a produção e colhemos 270 milhões de toneladas na safra 20/21.

Metade do que se produz de grãos no país foi “construído” em uma década e esse resultado abre espaço para falarmos sobre como olhamos para o futuro do agronegócio no Brasil e qual o papel das inovações tecnológicas que vêm atuando como vetor da curva exponencial do aumento da produtividade no campo. Dizem que fazer projeções é muito difícil, especialmente sobre o futuro, então, vamos focar no porquê acreditamos nessa evolução e vamos deixar os resultados esperados para as notícias porvir.

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A agricultura no Brasil vem, desde a década de 70, se reinventando safra após safra. O piloto por trás de tudo isso é o agricultor, que está sempre em evolução e saindo da zona de conforto para produzir cada vez mais. E nessa viagem, ele tem usado “gasolina azul”: inovação e tecnologia. Em 50 anos, nossos produtores se reinventaram na forma de manejar o solo e o plantio através do Plantio Direto; na forma de escolher tecnologia de plantio, ao adotar a primeira biotecnologia de Soja RR; na maneira de impulsionar a Safrinha de milho, que hoje já é, inclusive, maior que a safra principal e está muito ancorada nas tecnologias de milho BT, que colocaram a produtividade da cultura em outro patamar. Ultimamente, vem nascendo a nova fronteira de avanço da produtividade: a adoção da gestão com dados e a digitalização.

Estamos numa era em que se fala muito de dados, digital, agricultura 4.0. Traduzindo para o dia a dia, tudo isso nada mais é que o uso das tecnologias digitais disponíveis para que o produtor consiga cuidar de cada pedaço do talhão, com o mesmo cuidado que sempre teve para toda sua área. O novo pulo de produtividade estará no detalhe do metro quadrado, e é aí que a digitalização está fazendo a diferença. Um olhar orientado a dados permite que os agricultores entendam, em detalhes, as necessidades da propriedade, tirem maior proveito do valor dos insumos, encontrem novas oportunidades de renda, atuem em falhas com agilidade e precisão, sem necessitar esperar a safra seguinte. É uma lista imensa de benefícios e facilidades.

E, quando olhamos para o que está por vir e para o que estamos construindo junto ao agricultor, é gratificante. Um exemplo são modelos de precificação baseados em retorno de produtividade ao produtor, não mais na simples venda de produto, como precificar uma saca de sementes de milho. Já existem projetos piloto em andamento neste molde, em que produtores não negociam por exemplo o preço do saco de milho, mas sim o compartilhamento da rentabilidade proveniente da produtividade incremental. Negócios assim só são viáveis com uso de tecnologia digital e confiança entre as partes.

A adesão a programas assim demonstra que o agricultor brasileiro está na vanguarda. O futuro da agricultura brasileira é mais do que promissor. Aprendemos a usar inovação e tecnologia para superar os desafios e isso diferencia e separa os que vencem dos que falham. Inovação, tecnologia e conhecimento. Cada vez mais, o mercado e os consumidores estarão atentos a forma de produzir alimentos e ser sustentável. O termo e as políticas ESG, que já existem há mais de uma década, tomaram tração nos últimos anos e trazem junto a eles mais oportunidades para quem tomar a frente.

Nossa agricultura é muito mais produtiva do que meio século atrás, não apenas por causa das tecnologias e inovações criadas e acopladas, mas principalmente por conta de todo o conhecimento que o agricultor possui. Todas essas tecnologias e inovações seriam de muito pouco valor se os agricultores não as usassem. E esse contínuo esforço dos produtores em aprender cada vez mais e buscar adotar novas tecnologias, que geram o conhecimento científico, permitirá, mais uma vez, que transformemos a agricultura brasileira. Contem com o Digital no agro para isso.

*Abdalah Novaes é líder de negócios da Climate FieldView da Bayer para a América Latina

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Published by
Marcelo Gimenes Vieira
Tags: agriculturaagronegócioBayer
5 anos ago

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