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Expansão do uso de realidade estendida pede uma nova ética

Aumento de soluções de XR levanta questionamentos éticos

O isolamento físico ainda é o método mais indicado para conter o avanço da pandemia nesse momento, segundo autoridades de saúde. No entanto, isso não significa que estamos isolados socialmente, já que as ferramentas de videoconferência e a criação de espaços virtuais têm se destacado como alternativas para interação humana. Pode parecer estranho, mas o tema tem tudo a ver com ética e realidade estendida.

Afinal, a aceleração desses elementos, combinados à realidade aumentada e outras experiências semelhantes resulta no que os pesquisadores têm chamado de realidade estendida (XR, na sigla em inglês). Dedicada ao estudo do assunto, a arquiteta sênior de tecnologias emergentes da Syniverse e uma das líderes do comitê de ética do IEEE (maior associação de engenheiros do planeta), Monique Morrow acredita que a combinação quase total do que é simulado e o chamado “mundo físico” não está tão distante assim.

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Assim, é preciso pensar nas implicações das experiências em XR. A quem deve ser atribuído um crime cometido por um avatar que foi hackeado, por exemplo? Como evitar alguns vieses na arte criada com ajuda de algoritmos? E, no fim das contas, o que ética tem a ver com realidade estendida?

Esses foram alguns dos pontos presentes na palestra da pesquisadora que aconteceu nesta sexta-feira (10), na edição digital da Campus Party.

XR, ética e oportunidades

De acordo com a pesquisadora, o momento de pandemia pode trazer avanços para o uso de experiências com realidade aumentada e realidade virtual. Entretanto, também é necessário debater uma base ética para a construção de regulamentações e boas práticas nesse tipo de recurso.

“Temos que observar o que todos esses problemas contextuais significam em relação à ética. A tecnologia não tem uma regulação, mas se nós construirmos a tecnologia de forma a pensar eticamente desde o começo, essa é uma grande oportunidade para todos”, comenta Morrow.

Há ainda a questão de dispositivos de VR e AR utilizados no treinamento de profissionais. A pesquisadora explica que ainda não há estudos e processos consolidados para avaliar impactos mentais em trabalhadores que realizam esse tipo de tarefa. Ou ainda, regulações para proteger quem faz treinamentos por realidade aumentada.

“Nós acreditamos que é preciso pensar em regras trabalhistas para proteger quem executa tarefas no mundo da realidade estendida. Como podemos proteger os trabalhadores que usam essas tecnologias em particular?”, questiona Morrow.

Arte e empatia: questões em aberto

Outro ponto abordado diz respeito a quais deveriam ser os limites éticos de experiências em realidades virtuais. A líder do IEEE para ética em assuntos relacionados ao uso de realidade estendida alerta que veremos uma explosão de experiências virtuais na próxima década. Assim, é importante estabelecer uma boa forma de navegar por um mundo tão misturado.

Morrow teme que os seres humanos deixem interações sociais e engajamento presencial de lado: “Você pode imaginar que, à medida que vamos mais a esses mundos, estaremos cada vez mais imersos e devemos pensar quais serão as novas interações sociais e novas leis. E se vamos perder engajamento [com outros humanos]”.

Como as realidades virtual, aumentada e mista podem contribuir com o ensino durante a pandemia

Membro do comitê de ética da IEEE, a engenheira ainda abordou as possibilidades de interação e dilemas que surgem em seu grupo de pesquisa sobre o valor de propriedade intelectual e reprodução de preconceitos na arte criada em ambiente virtual, AR ou por meio de algoritmos.

Confira a participação Monique Morrow na Campus Party:

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Published by
Redação
Tags: Campus Partyéticarealidade aumentadarealidade estendidarealidade virtualXR
6 anos ago

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