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Escolas públicas brasileiras estão mais conectadas, mas uso em sala patina

A qualidade das conexões de internet nas escolas públicas brasileiras avançou, mas o uso pedagógico de recursos tecnológicos em sala de aula ainda é realidade distante para a grande maioria. É o que revela um levantamento – chamado Panorama da qualidade da Internet nas escolas públicas brasileiras – realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações (Ceptro.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

O estudo foi lançado na semana passada. Ele mostra que Das 137.208 escolas estaduais e municipais no País, 89% estão conectadas à rede. Entre as ouvidas, 62% declaram ter conectividade para ensino e aprendizagem, mas somente 29% contam tem computadores, notebooks ou tablets para acesso às redes pelos alunos.

Aquelas que possuem algum equipamento têm, em média, 1 dispositivo para cada 10 estudantes no maior turno escolar.

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Também descobriu que das 32.379 escolas com mais de 50 estudantes no maior turno, apenas 3.640 (ou 11%) cumprem a meta estipulada pela recém-lançada Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC) do Governo Federal. A ENEC recomenda que a velocidade de download deve ser igual ou maior que 1 Mbps por aluno no turno com mais matriculados.

Segundo o Ceptro.br, uma conexão abaixo desse parâmetro inviabiliza a realização de atividades que demandem maior banda e menor latência, como streaming de vídeo, por exemplo.

“No contexto geral, observamos nos últimos anos, uma evolução na oferta de internet para fins educacionais e no número de escolas públicas que passaram a ter 1 Mbps por aluno, mas ainda há espaço para melhorias”, avalia Paulo Kuester Neto, supervisor de projetos do NIC.br. Para as estatísticas, foram coletados dados do Medidor Educação Conectada, software desenvolvido pelo Ceptro.br presente em 57% (69.280) das escolas municipais e estaduais brasileiras em atividade.

O estudo também usou indicadores do Censo Escolar da Educação Básica, conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Desigualdades nas escolas públicas brasileiras

O estudo detectou desigualdades não só entre regiões do País, mas dentro delas. Norte e Nordeste, por exemplo, apresentam menor cobertura e qualidade de conexão, mas algumas de suas áreas, especialmente capitais ou regiões metropolitanas, têm qualidade comparável a de outras regiões brasileiras.

Por sua vez, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste demonstram uma quase universalização da cobertura, atingindo quase todas as escolas conectadas desde 2022.

“Também observamos desigualdades em termos de conectividade quando comparamos escolas instaladas em áreas rurais, indígenas e assentamentos com aquelas que funcionam em áreas urbanas”, comenta Kuester Neto.

Em relação à velocidade por aluno, a média nacional está abaixo do 1 Mbps recomendado. Mesmo assim, houve evolução de 2022 para 2023, passando de 0,19 Mbps para 0,26 Mbps. Estados como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Goiás são os mais bem colocados nesse quesito, com velocidade em torno de 0,5 Mbps por aluno. Na outra ponta estão Amazonas, Acre e Amapá, com cerca de 0,1 Mbps por estudante.

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