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Entrevista no mestrado: ser aprovado é tão bom quanto ser reprovado

entrevista

A entrevista do processo seletivo de um curso de mestrado assemelha-se, em muitos aspectos, a uma entrevista de emprego. Mas aqui ser reprovado pode, às vezes, ser o melhor resultado possível.

Para a maioria dos candidatos, a entrevista de ingresso no mestrado é uma experiência inédita, mas os professores orientadores já passaram por essa situação dezenas de vezes. Para o candidato, a frustração da reprovação, posso afirmar, é melhor do que o desgaste emocional e a perda de tempo (pelo menos três anos).

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Assim, faço algumas sugestões para que o resultado de sua entrevista seja a melhor possível:

Seja completamente franco. Essa é mais importante das regras. Você pode até se esquecer das demais, mas dessa não. Não diga que pode fazer algo quando não você está seguro de que pode. Não diga que você irá se dedicar em tempo integral (ou parcial), quando não pretende fazê-lo. Não diga que conhece um determinado trabalho que você desconhece. Não diga que você está disposto a estudar um assunto que você não quer estudar.

Algumas perguntas são bem frequentes: por que você quer fazer um mestrado? Por que você escolheu este programa de mestrado? Como você pretende se manter durante o curso (fonte de renda)? A bolsa é uma condição essencial ou importante para fazer estudar? Caso você esteja trabalhando, a sua empresa sabe que você está participando deste processo seletivo? Você estaria disposto a mudar seu tema de pesquisa? Sugiro que você pense nessas coisas previamente e as responda de forma sincera.

Conheça o curso antes de se inscrever. Quais são as linhas de pesquisa do programa? Quais os temas de estudo dos potenciais orientadores? Você gostaria de estudar algum destes assuntos? Minha opinião é que o tema da dissertação é algo secundário.

É mais fácil para um candidato identificar um bom orientador, alguém com quem exista empatia mútua, do que um bom tema de pesquisa. Quem tem maturidade para escolher tema de pesquisa é o orientador, não o candidato. Isso não quer dizer que o candidato deva estudar qualquer assunto. Dentre os temas possíveis em determinado grupo de pesquisa, o candidato deve identificar algum que seja de seu interesse. Caso ele não consiga identificar nenhum, talvez ele deva procurar um outro curso.

O primeiro objetivo da entrevista é identificar e eliminar do processo as pessoas que não teriam condições de concluir o curso. Os professores procuram avaliar a capacidade do candidato em concluir o curso dentro das expectativas do programa de pós-graduação. Nenhum orientador quer perder o seu tempo (e o do candidato) com alguém que não vai se formar.

Caso você seja reprovado, lembre-se de que essa é uma situação circunstancial. A reprovação ocorre porque o candidato não está, naquele momento, preparado para começar aquele curso de mestrado. Em geral, o candidato reprovado que pergunta aos professores o motivo de sua reprovação recebe uma resposta honesta. Com essa resposta ele deve avaliar se aquele programa de mestrado é adequado para ele e, em caso afirmativo, como ele pode se preparar para o próximo processo seletivo.

Muitos programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) estão com as inscrições abertas, e é comum o uso de entrevistas nas fases finais do processo seletivo. Se você deseja iniciar um mestrado em 2019, comece a correr atrás disto agora. Boa sorte!

*Renato de Oliveira Moraes é professor do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, orientador do programa de pós-graduação em Engenharia de Produção da USP, e coordenador do Curso de Especialização em Administração Industrial (CEAI) da USP.

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Published by
Redação
Tags: EntrevistaMestrado
8 anos ago

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