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Einstein implementa software que automatiza exames de cardiotocografia

O Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, anunciou essa semana que implementou um software capaz de analisar exames de cardiotocografia de modo automatizado e, assim, avaliar a possiblidade de sofrimento fetal em tempo real. A solução, chamada de Omniview-SisPorto, foi desenvolvida por uma startup portuguesa (a Speculum) com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

O exame de cardiotocografia é feito aplicando sondas na barriga da grávida para registar contrações e frequência cardíaca do feto. Segundo os envolvidos, o software analisa esses dados e presta apoio para diagnóstico em casos de sofrimento fetal, reduzindo desfechos potencialmente negativos na hora do parto.

O software foi ligado a múltiplos quartos e vem sendo testado pelo Einstein, que já avaliou mais de 5 mil cardiotocografias em seis meses. Foram identificados 11 casos de alterações de cardiotoco, que determinaram a conversão do parto normal para cesárea.

Leia também: Assistente de IA auxilia neurocirurgiões em hospitais da China

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hipóxia perinatal é a terceira causa de morte neonatal, representando 23% dos óbitos de recém-nascidos no mundo. A falta de oxigenação cerebral também pode causar sequelas permanentes aos bebês, inclusive paralisia cerebral, deficiência cognitiva, cegueira e surdez.

Cenário pré-solução

Antes da implementação, segundo os protocolos clínicos do hospital, os exames eram feitos com intervalos de duas ou três horas durante o chamado “período expulsivo” e, quando indicado pela equipe médica, a cada 30 minutos no período do nascimento.

Os testes precisavam ser impressos e submetidos a uma avaliação médica, o que podia implicar em demora para o diagnóstico ou mesmo erro humano. Com o software, a leitura é feita ininterruptamente e alerta a equipe obstétrica para alterações relevantes em tempo real.

Com o software, é possível visualizar em tela única as cardiotografias em curso. Ele faz três tipos de alertas: quando alguma atenção é necessária mesmo com oxigenação fetal normal; quando parece haver risco, embora baixo, de hipóxia fetal; quando há provável hipóxia fetal e deve haver ação clínica.

“A asfixia fetal representa um dos principais motivos de morte de perinatal, mas essa é uma causa considerada evitável. A incorporação da tecnologia promove a redução do uso do fator humano na interpretação do exame, o qual se associa a maior possibilidade de falha, e isso nos permite salvar vidas e melhorar a qualidade de vida dos bebês”, explica Rômulo Negrini, coordenador médico da obstetrícia do Einstein.

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