Levantamento em parceria com o PGT USP revela que modelo B2B lidera com 38,1% das intenções de atuação, seguido pelo B2B2C, com 32,7%
Mais de 66% das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, boa parte dessas empresas conseguiu consolidar seus negócios e hoje compõem um ecossistema maduro e resiliente. É o que mostra o estudo inédito “O Perfil das Edtechs Brasileiras”, realizado pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups) em parceria com o Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da Universidade de São Paulo (PGT USP).
Com base na análise de 368 edtechs brasileiras, o estudo revela um ecossistema que cresce de forma sustentável, mesmo diante da dificuldade de acesso a capital. Entre as startups mapeadas, 44,6% estão em operação há mais de cinco anos, indicando que boa parte delas conseguiu consolidar seus modelos de negócio por meio da geração de receita própria. Para alcançar essa sustentabilidade, a capacidade de adaptação foi determinante. Segundo o estudo, 59,7% das startups já pivotaram — ou seja, mudaram seu modelo de negócio ou estratégia ao longo da trajetória.
“Quando observamos os resultados em conjunto, vemos um ecossistema que amadureceu mesmo enfrentando restrições de capital. A combinação entre capacidade de adaptação, foco em modelos escaláveis e aproximação com o mercado corporativo mostra que as edtechs brasileiras encontraram caminhos para crescer de forma consistente e gerar valor”, comenta Cláudia Schulz, CEO da ABStartups.
Outro destaque é a consolidação do segmento corporativo como principal frente de atuação das edtechs. O modelo B2B lidera com 38,1% das intenções de atuação, seguido pelo B2B2C, com 32,7%, demonstrando que empresas e instituições de ensino se tornaram importantes impulsionadoras do crescimento dessas startups.
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“A educação corporativa e o fornecimento de tecnologia para grandes instituições são hoje algumas das frentes mais promissoras para as edtechs. Existe uma demanda crescente por soluções que aumentem a eficiência, a escala e a qualidade dos processos de aprendizagem, e as startups brasileiras têm respondido a esse movimento”, avalia a executiva.
O estudo também mostra que as edtechs operam com estruturas enxutas e modelos altamente escaláveis. Mais da metade das empresas possui equipes de até cinco colaboradores, enquanto o modelo SaaS (Software as a Service) é o mais adotado pelo setor, reforçando a busca por eficiência operacional.
Embora apenas 11% das startups já tenham expandido suas operações para outros países, o interesse pela internacionalização é expressivo: 61,3% afirmam que pretendem levar seus negócios para mercados internacionais, indicando que esse deve ser um dos próximos movimentos do ecossistema. “As edtechs brasileiras mostraram que conseguem construir negócios consistentes mesmo em um cenário desafiador. Agora, o próximo passo é criar condições para que esse ecossistema acelere seu crescimento e amplie seu impacto dentro e fora do país”, conclui Claudia Schulz.
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