Por Tiago Amor
A Reforma Tributária ainda é discutida como se fosse um problema de imposto. O que vai mudar, quanto vai subir, quanto vai cair, quem ganha, quem perde. Mas existe algo mais urgente. A partir de 2026, o que vai separar empresas preparadas das despreparadas é a capacidade dos sistemas de executar o novo modelo sem travar a operação.
O que muda, em termos práticos, é a base do imposto sobre consumo no Brasil. Entram dois novos tributos do tipo IVA (Imposto sobre Valor Agregado): a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), como tributo federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), o tributo compartilhado entre estados e municípios.
O cronograma cria uma falsa sensação de tranquilidade. Em 2026, o sistema entra em fase de testes, com alíquota pequena (1%) e abatida em outros tributos; em 2027, começa a substituição de tributos federais como PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) pela CBS; e, entre 2029 e 2032, ocorre a transição gradual de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e ISS (Imposto Sobre Serviços) para o IBS.
Até aqui, parece “só imposto”. Mas não é.
A Receita está colocando em funcionamento uma nova plataforma, atualmente em testes, para operacionalizar pagamentos e controles do novo modelo. E o ponto mais importante é o efeito disso dentro das empresas, já que a Reforma exige que o documento fiscal e os eventos da operação sejam processados com mais padronização, validação e integração entre sistemas.
A Reforma vai expor empresas que ainda operam com dados divergentes, integração frágil e conferência manual.
Visto a demora de atualização e revisão de processos, é possível notar que as organizações estão subestimando a complexidade de receber e processar notas no novo formato. A verdade é que se o ERP não souber ler e validar essas informações, o processo simplesmente vai parar e impactar diversas frentes.
Na prática, os problemas irão acontecer quando o recebimento não conseguir dar entrada porque o item não está corretamente cadastrado; quando a nota não corresponder ao pedido de compra e virar pendência; quando o título financeiro não for gerado (ou ser criado com erro) e o pagamento não seguir; quando a validação fiscal bloquear a liberação da mercadoria; e quando pequenas divergências, repetidas em escala, virarem uma massa de exceções impossíveis de corrigir uma a uma sem atrasar a empresa inteira.
Ou seja: a revisão de processos e sistemas é urgente para dar conta da Reforma Tributária.
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A preparação não consiste em só parametrizar imposto. É preciso fazer o básico bem feito, e em escala:
Ou seja, 2026 vai cobrar mais do que conhecimento sobre a Reforma Tributária. Vai exigir maturidade operacional.
Agir desde já definitivamente não é uma prevenção exagerada. É sobre proteger a continuidade do negócio diante da modernização nacional.
Quem começar cedo ganha margem de teste, corrige cadastros, reduz exceções e integra áreas antes do pico de pressão. Quem deixar para a última hora vai tentar modernizar em plena operação, pagando em retrabalho, atrasos e perda de previsibilidade.
Em 2026, o imposto ainda pode ser “pequeno” no caixa. O risco, porém, já será grande na operação. E é a operação que separa quem atravessa a transição com controle de quem fica para trás.
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