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Desamarre-se dos trilhos para voar

Se Peter Drucker estivesse vivo nos dias de hoje, ficaria abismado com a assertividade de suas convicções. Comprovando o vasto legado de conhecimento em administração deixado por ele, nos tempos pós-pandemia, as empresas podem ser divididas em dois grupos: as rápidas e as mortas.

Em poucos meses, o mundo ganhou configurações completamente distintas e as empresas foram viradas ao avesso, em um movimento que pode ser traduzido como o novo normal. De uma hora para outra, tornou-se realidade o que muitas empresas vinham planejando há anos, mas não colocavam em prática por muitas razões – finalmente, elas o fizeram porque não havia escolha.

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Foi o início da era que eu costumo chamar de “corra ou morra”. No novo normal, o presencial perdeu terreno para o remoto; o tempo síncrono cedeu espaço para o assíncrono, ao passo em que as empresas enxergaram a importância de fazer mais com menos, melhor e mais rápido. Enquanto o tsunami chamado coronavírus arrebata o planeta, deixando rastros de escassez e problemas, ele traz consigo também um mar de oportunidades.

Números não faltam para mostrar: segundo pesquisa do movimento Compre&Confie, o comércio eletrônico no Brasil cresceu 126,9% no mês de maio, registrando 23,8 milhões de pedidos. De acordo com o levantamento, o varejo online movimentou R$ 9,4 bilhões apenas naquele mês.

Dos negócios online aos artigos para home office, passando pelos serviços de saúde e de entregas, sobram exemplos de segmentos que tiveram caminho livre para prosperar. E, na contramão, o Sebrae afirma que 600 mil micro e pequenas empresas fecharam as portas durante a pandemia.

A diferença entre o primeiro grupo de empresas e o segundo pode ser resumida na velocidade da adaptabilidade mental e na flexibilidade, condições essenciais para sobreviver às novas realidades. Está ainda na capacidade de aprender e aprimorar o poder da observação, formulando ideias simples com potencial de desencadear resultados surpreendentes. Mas o que nos freia são os trilhos.

Combinar o velho e o novo é fruto da desconstrução de modelos mantidos ao longo de vidas inteiras, como trilhos que nos mantém presos e sempre nos conduzem aos mesmos caminhos. Por acaso, alguém já viu o trem questionar a existência deles?

Antes da pandemia, muitos em minha empresa questionavam os modelos tradicionais de reuniões – segundo Peter Drucker, elas são concessões de organizações deficientes. Tentávamos melhorá-los, mas não nunca chegávamos a um resultado satisfatório. Do dia para a noite, fomos obrigados a sair dos trilhos e instituir reuniões virtuais com um grande número de participantes, alguns alocados em locais distantes. As reuniões passaram a ser gravadas, replicadas e, assim, tomamos decisões reciclando nosso tempo, sem nenhum prejuízo frente ao modelo presencial. Foi uma ruptura.

Claro que há situações nas quais não podemos fugir ao tradicional. Por exemplo, estou com saudades de uma boa massagem. Mas sempre é possível descobrir novas formas de se fazer algo.

Um exemplo é o comércio de tecidos, antes uma atividade considerada impossível de ser feita via e-commerce. Quem, em sã consciência, investiria em um tecido que não conferiu pessoalmente? E não é que hoje já há lojas que enviam amostras para o cliente conhecê-las para, depois, vender remotamente e de forma assíncrona?

Nenhum modelo de negócio está imune às intempéries que podem assolar o planeta. Por isso, temos que estar atentos ao nosso redor para percebermos qual é a hora de transformar uma empresa da água para o vinho, seguindo princípio simples: o dinheiro não some, apenas muda de lugar. Precisamos saber para onde ele está indo e entender como seguir em sua direção.

Como diria Drucker, “não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo”. E antes fazer parte de sua criação do que tentar alcançar um balão que voou há tempos.

* Jimmy Cygler é presidente executivo da Proxis

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Redação
Tags: inovaçãonegócios
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