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Delegações do G20 conhecem experimento sobre futuro da Amazônia

Delegados do G20 que estão em Manaus (AM) para a reunião técnica e encontro ministerial do Grupo de Trabalho de Pesquisa e Inovação do grupo conheceram nesta semana um programa científico no meio da floresta. O AmazonFACE foi apresentado por representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), inclusive a ministra, Luciana Santos.

O AmazonFACE é um programa científico que mede uma série de indicadores para tentar prever o que acontecerá com a maior floresta tropical do mundo diante da mudança ambiental global. O experimento utiliza a tecnologia FACE (acrônimo em inglês para free air CO2 enrichment ou, em tradução livre, enriquecimento de CO2 ao ar livre). Ela simula um aumento de 50% na concentração de dióxido de carbono na atmosfera comparado ao atual.

Participaram representantes de 27 delegações estrangeiras. O local do experimento fica a 80 km de Manaus, na zona florestal de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônica (Inpa). A visita incluiu uma vista da floresta de um guindaste de 45 metros de altura, que permite avistar a floresta e a infraestrutura do experimento.

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“A Amazônia tem enorme influência na América do Sul e no clima global. Tenho repetido que o enfrentamento da mudança do clima depende da ciência, da tecnologia, da inovação e da cooperação internacional. O AmazonFACE contempla todos os esses aspectos”, disse a ministra da Luciana Santos.

Desde 2021 o programa recebe apoio do governo britânico por meio do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido (FCDO), que investiu cerca de R$ 53,3 milhões até março de 2024. É a maior parceria científica entre Brasil e Reino Unido.

“Posso dizer que já sofremos os impactos dos eventos climáticos. É responsabilidade de todos, mas em especial dos países detentores de tecnologia, fornecer respostas e condições para que a humanidade diminua as assimetrias. Considero o G20 o fórum adequado para essa reflexão e ação”, disse.

No dia anterior (terça, 17), foi lançado o Plano Científico do AmazonFACE, que estabelece prioridades de pesquisa dos próximos cinco anos. O programa, que começou em 2014, vai receber inicialmente mais R$ 32 milhões do governo por meio de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

Como funciona o projeto na Amazônia?

As pesquisas são realizadas em uma infraestrutura composta por seis anéis. Cada anel tem 30 metros de diâmetro e é formado por 16 torres de alumínio de 35 metros de altura. Também integra a infraestrutura quatro guindastes grua de 45 metros de altura, tanques de CO2, equipamentos científicos e toda a parte computacional.

A expectativa é de que o programa gere dados pelos próximos dez anos. A combinação da experimentação na floresta e dos modelos matemáticos tem o objetivo de entender o futuro da floresta amazônica diante da mudança do clima. Esta é a primeira vez que a tecnologia de enriquecimento de dióxido de carbono será aplicada em uma floresta tropical.

A coordenação científica do programa é feita por cientistas brasileiros, por meio de pesquisadores do Inpa e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em colaboração com cientistas do Reino Unido. Participam do programa uma equipe internacional de pesquisadores debruçados sobre os ciclos do carbono, da água e dos nutrientes no contexto das emissões de carbono do futuro.

O programa também vai avaliar aspectos socioeconômicos, especialmente para os moradores da floresta e a insegurança alimentar. Nesse site é possível conhecer o projeto em mais detalhes.

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