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Dataprev desliga mainframes e adota banco de dados open source

Desde a década de 80, a Empresa de Tecnologia da Informação da Previdência Social (Dataprev) apostava no uso de mainframe para apoiar as operações da companhia, responsável pela gestão da base de dados sociais do Brasil. Mas em 2008, o cenário começou a mudar. A companhia verificou que precisava modernizar a infraestrutura tecnológica para obter redução de custos e facilitar o desenvolvimento de melhorias dos sistemas de clientes como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Receita Federal do Brasil.

Para alcançar esses objetivos, a Dataprev decidiu migrar de mainframe (com linguagem de programação Cobol) para banco de dados de código aberto (baseado em Java). O investimento na iniciativa, apenas em infraestrutura, foi da ordem de R$ 100 milhões.

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“Tínhamos, até então, três mainframes proprietários alugados da Unisys. Por isso, o grau de dependência de fornecedores era grande e a incorporação de funcionalidades dos sistemas dos nossos clientes não era realizada com a rapidez que desejávamos”, diz Rogério Mascarenhas, diretor de relacionamento, desenvolvimento e informação da Dataprev.

Mascarenhas lembra ainda o alto custo para manter a infraestrutura. As despesas com o aluguel dos mainframes chegavam a R$ 3,5 milhões mensais. Além disso, aponta o executivo, a companhia encontrava dificuldades para contratar profissionais habilitados em Cobol.

O uso de computadores de grande porte, no entanto, não foi descontinuado. A empresa optou por adquirir dois mainframes da Unisys mais modernos para dar suporte ao projeto, até que a migração seja concluída. Somente essa mudança possibilitou economia mensal de R$ 2,8 milhões com manutenções e suporte.

A companhia espera que até o final de 2012 todos os sistemas rodem no novo banco de dados da Oracle. Quando isso acontecer, os mainframes serão utilizados para guardar o legado que a Dataprev tem de manter por 30 anos.

O projeto é composto por três ações principais: migração de dados e sistemas de mainframe para plataforma aberta, modernização do Cadastro Nacional de Informações Sociais (Cnis) e desenvolvimento do Sistema Integrado de Benefícios (Sibe). O processo é acompanhado de perto pelos órgãos de controle Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério Público Federal (MPF).

Planejamento é a chave
A Dataprev traçou uma estratégia de implementação para poder obter sucesso na operação. Começou pela revisão dos processos e o desenvolvimento de sistemas. Novas funcionalidades vão ser disponibilizadas para aprimorar os serviços oferecidos aos clientes. Um time de 400 profissionais espalhados por Unidades de Desenvolvimento no Ceará, na Paraíba e em Santa Catarina, está focado nessas atividades.

Como exemplo de sistemas que passarão por melhorias, o executivo cita o Cnis, que armazena mais de 15 bilhões de informações sobre vínculos empregatícios, remunerações e outros tipos de contribuições do cidadão brasileiro. O Cnis é considerado o sistema mais crítico da Dataprev.

“O cadastro de remunerações do Cnis está sendo reestruturado para que seja possível efetuá-lo por meio da internet, sem a necessidade de deslocamento a uma agência da Previdência”, afirma. Uma parte do Cnis já passou para o banco de dados e espera-se que esse processo seja finalizado até o final do primeiro semestre deste ano.

Ao contrário de muitas organizações que preferem deixar para implementar as operações mais críticas por último, a Dataprev seguiu o caminho oposto. “Essa ação foi colocada em prática, pois queríamos que a migração do Cnis, coração da nossa operação, fosse bem-sucedida. Assim, as demais também seriam”, avalia.

O Sibe, que reconhece o direito do cidadão, está sendo desenvolvido e será implementado no segundo semestre de 2010. “À medida que os sistemas são entregues, iniciamos o processo de implementação na plataforma baixa”, pontua. A Dataprev projeta que os dados do Sibe ocuparão cerca de 50 terabytes da capacidade do banco.

Os sistemas de Receita Previdenciária, da Receita Federal, também deverão ser convertidos de Cobol para Java até o fim do ano. O processo envolve a migração de cerca de 70 sistemas e cerca de 7,3 milhões de linhas de código – forma de mensurar o tamanho de um programa. Até o momento, quase 6 milhões de linhas de código já foram convertidas, o que representa cerca de 80% do total a ser migrado.

Superação dos obstáculos
De acordo com Mascarenhas, o maior desafio até o momento é a migração dos dados. “A transação de um banco em rede para um ambiente relacional está se mostrando demorada já que temos de migrar uma grande quantidade de informações”, afirma. O executivo diz que para superar esse obstáculo, está aumentando a carga de processamento, acelerando a ação.

Ao final da modernização, a Dataprev espera ganhar agilidade e possibilitar aos clientes rápido acesso aos sistemas. A opção tecnológica em código aberto também facilitará a manutenção e a contratação de mão de obra. “As melhorias implementadas nos sistemas faz com que eles estejam prontos para serem usados pela internet”, finaliza Mascarenhas.

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Redação
15 anos ago

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