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Contrato entre OpenAI e Defesa dos EUA pode pressionar relação com Microsoft

A OpenAI anunciou na segunda-feira (17) que fechou um contrato com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) no valor de até US$ 200 milhões. O objetivo é ajudar a agência a identificar e desenvolver sistemas protótipos que utilizem seus modelos de inteligência artificial para tarefas administrativas e outras aplicações.

De acordo com a própria OpenAI, entre os possíveis usos estão apoiar militares no acesso a serviços de saúde, otimizar o gerenciamento de dados sobre diferentes programas e contribuir para ações de defesa cibernética proativa. A empresa destacou que “todos os casos de uso devem estar alinhados com as políticas e diretrizes de uso da OpenAI”.

O comunicado do Departamento de Defesa usou uma linguagem um pouco mais direta. Segundo o DoD, “com este contrato, a contratada desenvolverá protótipos de capacidades avançadas de IA para enfrentar desafios críticos de segurança nacional, tanto em domínios de combate quanto administrativos”.

Ainda não está claro se a referência ao “domínio de combate” inclui o uso direto em armamentos ou se se restringe a atividades indiretas, como gestão de documentos. A OpenAI proíbe, em suas diretrizes, que usuários individuais utilizem o ChatGPT ou suas APIs para desenvolver ou operar armas. No entanto, a empresa removeu de seus termos de serviço, em janeiro de 2024, a cláusula que proibia explicitamente usos militares ou ligados à guerra.

Leia também: Andrea Ribeiro: do Service Desk à elite global da Nutanix com a missão compartilhar conhecimento

Avanços da China

O movimento do Departamento de Defesa ocorre em meio às crescentes preocupações no Vale do Silício sobre os avanços da China na corrida dos modelos de IA generativa.

Investidores e executivos têm alertado sobre os riscos. Um exemplo é Marc Andreessen, cofundador da Andreessen Horowitz, que é investidora da OpenAI —, que, em entrevista recente ao podcast “Uncapped” (apresentado por Jack Altman, irmão de Sam Altman, CEO da OpenAI), descreveu a disputa entre os modelos da China e do Ocidente como uma “guerra fria”.

Outro ponto relevante do anúncio é o impacto na relação cada vez mais tensa entre a OpenAI e a Microsoft, sua maior investidora.

A Microsoft mantém há décadas contratos robustos com o governo dos EUA, incluindo o Departamento de Defesa, somando centenas de milhões de dólares. A empresa também implementa os rigorosos protocolos de segurança exigidos para operação em ambientes governamentais sensíveis, especialmente na nuvem.

A OpenAI divulgou esse contrato no contexto de seu novo programa “OpenAI for Government”, que reúne outras iniciativas voltadas para a venda de soluções diretamente a órgãos governamentais, como os Laboratórios Nacionais dos EUA, o Laboratório de Pesquisa da Força Aérea, a NASA, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e o Departamento do Tesouro.

O anúncio surge apenas dois meses depois de a Microsoft divulgar que seu serviço Azure OpenAI havia sido aprovado pelo Departamento de Defesa para uso em todos os níveis de informação classificada. Agora, o próprio DoD também passa a contratar diretamente a OpenAI. Sob a ótica da Microsoft, trata-se de uma movimentação desconfortável.

Procuradas pela reportagem do TechCrunch, a Microsoft preferiu não comentar e a OpenAI não respondeu aos pedidos de entrevista.

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