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Concorrentes do agronegócio unidos para projetos de TI

Em 2007, as empresas do setor alcooleiro tinham o desafio de implantar o sistema de nota fiscal eletrônica e, apesar de todas estarem quebrando a cabeça para isso acontecer até o prazo final, não trocaram informações.

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Agora, quando muitas ainda enfrentam problemas na estabilização da NF-e, ocorre uma mudança de postura e, com alguma ajuda externa, se dão conta que mesmo entre empresas concorrentes, algum grau de cooperação pode ter muito valor.

Assim foi criado o Uniagro, grupo composto pelos CIOs de oito empresas: Usina Santa Cruz, Grupo Cosan, Grupo Fischer, Grupo São Martinho, Usina Guarani, Usina Guaíra, Faber-Castell e Usina Batatais.

A idéia que moveu esses profissionais veio do atual consultor independente, Pedro Sergio Rodrigues, ex-managing director da Bearing Point do Brasil. Ele percebeu a oportunidade de as companhias trabalharem juntas após ter apoiado a introdução da NF-e em algumas delas. Mas, somente depois de ter se tornado independente, em outubro do ano passado, voltou a pensar no assunto e fez o convite, aceito pelos CIOs de pronto.

“O grupo em que estamos trabalhando tem uma concepção diferente, tem como objetivo a coopetição (cooperação em ambiente competitivo). Há consenso de que não é em função da concorrência entre as companhias que os CIOs não vão cooperar onde o ganho é coletivo”, afirma Rodrigues.

Para que se tenha idéia do sucesso do projeto, cerca de dez empresas mostraram interesses em se juntarem ao Uniagro, mas por serem discussões extremamente estratégicas – algumas já em estágio um pouco mais avançado – os CIOs preferiram manter a espécie de “G8 do agronegócio” como estava.

Rodrigues explica que esse é um grupo formado para trabalhar projetos em conjunto e que algumas iniciativas já estão saindo do papel. No início do processo, os participantes levantaram 12 necessidades de suas empresas no cenário atual. Dessas, foram elencadas as cinco mais importantes nas quais os CIOs mantêm o foco neste primeiro momento.

“Estamos compartilhando conhecimento e investimentos. A evolução vem sendo muito interessante. Essa ainda é uma iniciativa inovadora, diferente de tudo, mas já temos observado o fomento e nascimento de processos semelhantes”, comemora Rodrigues.

Atualmente a Uniagro se reúne mensalmente e discute, por exemplo, o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) contábil e fiscal. “Estamos buscando uma solução comum para todas”, afirma Rodrigues complementando, “também são discutidos temas mais estratégicos, como melhoria dos processos empresariais e o papel da TI”, diz o analista. “São projetos de alto valor agregado.”

O funcionamento do grupo se dá por meio de processos rígidos. “Temos uma governança rigorosa. A pauta pré-definida na reunião anterior é enviada para os participantes com três semanas de antecedência para que possam se preparar. No início, meu papel era ser um facilitador, mas, na prática, acabei me tornando coordenador do grupo”, explica Rodrigues.

Nas reuniões, o grupo delibera sobre alguns dos temas discutidos, geralmente alinhados com as 12 necessidades que foram levantadas incialmente.

Agora, o próximo desafio do Uniagro é envolver CFOs e CEOs, algo que já vem acontecendo. “Está sendo marcada a primeira reunião com os executivos de primeiro escalão. Acredito que a reunião, que ocorrerá ainda este mês, é muito valiosa porque significa que ultrapassamos a TI e entramos na área do negócio e de assuntos estratégicos, onde é fundamental a participação dos demais executivos C-level para garantir o alinhamento”, exclama Rodrigues.

Cada vez mais os alto-executivos têm o entendimento da importância da área de TI, e isso se deve também ao trabalho do Uniagro, avalia o coordenador satisfeito.

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marina.pita
18 anos ago

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