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Como os bancos se prepararam para o débito direto autorizado

A partir desta segunda-feira (19/10) passa a vigorar no Brasil o Débito Direto Autorizado (DDA), o qual substitui o boleto de cobrança em papel por documentos eletrônicos. A iniciativa afeta diretamente os bancos brasileiros, que tiveram de adequar a plataforma de TI para receber essa nova modalidade de serviço.

O Banco do Brasil, por exemplo, um dos primeiros a lançar a apresentação eletrônica dos boletos no formato previsto no DDA, preparou várias funcionalidades para facilitar o pagamento de cobranças regulares, como mensalidade escolar, cursos, débitos parcelados, além de outras vantagens.

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Já o Bradesco, que também está em fase de pré-cadastramento de seus clientes, deve oferecer como diferenciais competitivos módulos específicos para controle do fluxo de caixa das empresas e um aplicativo para ajudar a gestão financeira dos clientes pessoas físicas.

“Com o DDA, os bancos brasileiros entenderão melhor seus clientes, tanto pessoa física como jurídica e, eventualmente, podem oferecer condições de crédito facilitadas para as empresas”, avalia Joaquim Kawakama, superintendente da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), incumbida pela implantação do novo sistema.

Segundo o executivo, os bancos estão investindo muito nessa nova arquitetura, montada em um prazo agressivo e recorde. Mas os valores aplicados pelas instituições são estratégicos e difíceis de mensurar, uma vez que envolvem recursos elevados na fase de desenvolvimento.

Somente a CIP investiu cerca de 20 milhões de reais no desenvolvimento do sistema central, em que ficarão armazenadas todas as informações sobre os boletos eletrônicos emitidos pelas empresas. Além do custo do contrato com a empresa ganhadora da licitação realizada pela CIP para fornecimento da infraestrutura, estimado em 77 milhões de reais, durante os oito anos.

De acordo com o gerente executivo da diretoria comercial do Banco do Brasil, Sidney Asseri, para implantação do DDA a solução multibanco do BB vai usar a estrutura de comunicação de dados da Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN).

Desde maio, quando o banco começou a cadastrar seus correntistas no DDA, já foram emitidos boletos eletrônicos no valor total de 2 bilhões de reais. Até agora, cerca de três mil clientes do BB aderiram ao boleto eletrônico, o que resultou em 15 mil boletos eletrônicos no lugar dos papéis, referentes a cobranças de 40 milhões de reais.

Asseri não revela o valor do investimento, no entanto, afirma que o desenvolvimento interno do banco levou dois anos e meio – “e muitas horas de trabalho dos nossos profissionais”. A informação sobre redução de custo do banco também é estratégica, mas a economia de recursos estimada pode ser quantificada pela expectativa de redução de boletos impressos.

“Se 1/3 das cobranças impressas pelo BB for apresentada exclusivamente por meio eletrônico, a economia anual estimada com a produção do papel para impressão das faturas seria de aproximadamente 14 mil árvores”, destaca Asseri.

O Bradesco está 100% preparado, assegura Rizaelcio Machado de Oliveira, gerente departamental de cash management. O banco conta atualmente com 20,1 milhões de clientes, dos quais 32% já utilizam os vários canais eletrônicos (internet banking, plataformas de gerenciamento de agências, fone fácil e celular) para pagamento combinado dos boletos.

Para as empresas, o Bradesco pretende ofertar via o Net Empresas, serviço exclusivo para pessoas jurídicas, funcionalidade que permite o acompanhamento do fluxo de caixa, possibilitando aos departamentos financeiros fazer a gestão das contas a pagar e a receber.

Para a pessoa física, que recebe boletos pelos vários canais, o banco vai lançar o Bradesco Net Finanças, um aplicativo que possibilita o agendamento dos pagamentos e apóia na gestão financeiro dos usuários.

Oliveira enumera vários benefícios que serão proporcionados pelo sistema DDA. Para empresas, redução de custo com emissão de boletos, controle melhor do fluxo de caixa, flexibilidade nos prazos de faturamento e facilidade de conciliar pagamentos nos sistemas de ERP (Enterprise Resources Planning).

Para os usuários, além de evitar digitação de 44 posições nos códigos de barras, o DDA vai permitir gerir compromissos financeiros e avisos dos pagamentos com extrema agilidade, via celular.

O que é o DDA?
O Debito Direto Autorizado (DDA) substitui o modelo atual de emissão física, em papel, dos documentos de cobrança para pagamento no sistema financeiro por sua apresentação em forma eletrônica diretamente nos vários canais de atendimento (internet, caixa eletrônico, telefone etc.).

O novo modelo foi desenvolvido em conjunto pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Associação Nacional dos Bancos (Asbace), Associação Brasileira dos Bancos Internacionais (ABBI), com apoio do Banco Central do Brasil.

Inicialmente, as contas que poderão ser visualizadas pelo DDA são as cobradas por boleto bancário, como mensalidades escolares, plano de saúde, taxa de condomínio e financiamento de casa própria. Tributos e contas de serviços públicos, como água, gás, luz e telefone não estarão no DDA, por enquanto.

Como funcionará
Os bancos dos cedentes (as empresas) verificam se o cliente é sacado (devedor) eletrônico, geram a fatura eletrônica e enviam-na ao DDA, centralizado na Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP).

O DDA armazena todas as faturas eletrônicas. O banco do cliente devedor (sacado) consulta no DDA os títulos de cobrança existentes e os apresenta para pagamento nos diversos canais disponíveis (caixas eletrônicos, agências bancárias, celulares, futuramente). O cliente efetua o pagamento dos seus títulos eletrônicos através dos canais eletrônicos colocados à disposição por seu banco.

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patricia.lisboa
17 anos ago

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