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Com Cubo, Itaú aprende a trabalhar com startups

Virou moda dizer que para inovar as grandes empresas precisam estar próximas das startups ou mesmo consumir os produtos desenvolvidos por essas nascentes. Mas o fato é que, mesmo hoje, com esse segmento mais amadurecido no País, as grandes corporações ainda não conseguem transitar nesse ambiente com tanta facilidade e muitas ainda carregam restrições que impedem de fazer qualquer tipo de negócio com uma empresa nascente, seja por temer a sobrevivência da startup no médio prazo ou até pela capacidade de suporte para a solução ofertada. No caso do Itaú, a virada começou há um ano, com o lançamento do Cubo, um espaço que serve como um hub de startups, mas mais que isso, propicia por meio de conexões e parcerias a rápida profissionalização das empresas que residem no espaço.

Recentemente, em evento comemorativo ao primeiro ano do Cubo, o vice-presidente de operações e tecnologia do Itaú, Marcio Schettini, lembrou que muito da essência do hub está ligado a conceitos presentes no banco há muito tempo. “O Cubo agrega talentos, pessoas que desafiam o status quo para substituir o atual por algo novo, melhor para o cliente. O Cubo é tecnológico e TI está totalmente ligada ao banco. E tudo que pensamos em TI, o fazemos pensando em clientes, pessoas.”

No mesmo local, o CIO do Itaú Ricardo Guerra, foi mais além e afirmou que a base do que se cria naquele ambiente vem da transformação que a sociedade está vivendo, e as coisas estão acontecendo, ressaltou, de maneira que o indivíduo se acostuma rapidamente com uma inovação sem ao menos perceber. “Se as empresas não percebem essa mudança de comportamento da sociedade, ficam para trás”, provocou. “O nível de exigência mudou e a forma como as pessoas interagem com as empresas evoluiu. Tudo o que vivemos é o cliente no centro da proposta de valor e isso vale para várias indústrias.”

Na visão de Guerra, o investimento feito no Cubo serviu inclusive para aumentar a relevância da tecnologia do banco. Atualmente, o Itaú utiliza soluções de três empresas residentes no espaço. Um dos exemplos é a Fhinck, que utiliza inteligência artificial para monitorar processos, e, no banco, serviu para automação no backoffice. Já a Appus forneceu uma solução que tem sido aplicada para reformular processos em gestão de pessoas. “Tudo isso torna o banco mais moderno na gestão do cliente”, acrescentou, lembrando que o Itaú como empresa também revisitou seu modelo para ter startups como clientes, olhando muito mais o potencial futuro que o “caixa” presente.

Das soluções utilizadas, nenhuma ainda foi plugada aos sistemas core do banco, mas num futuro pode até ser que isso aconteça. Questionado se o Itaú já havia trabalhado com startups antes da formação do Cubo, Schettini rapidamente disse que não. E argumentou: “tínhamos dificuldades de interagir com empresas em fase de consolidação. Empresas no nosso porte apostam tudo para não tomar risco e replicam soluções consolidadas.Quando nos aproximamos desse mundo via Cubo criamos uma meta de utilizarmos soluções de startups. Não temos nenhuma aplicação no sistema core, mas temos estratégia para nova arquitetura e também abrir horizontes para adoção de soluções novas.”

Como apontou Flávio Pripas, diretor do Cubo, uma das missões do projeto é justamente ensinar grandes empresas a trabalharem com startups. “Existe um choque, os processos das grandes são feitos para reduzir riscos, e startup é puro risco. Estamos quebrando barreiras por essa nossa curadoria de empresas”, comentou. O diretor disse ainda que o bom de uma corporação trabalhar com nascentes é a chance de forçar um movimento para repensar processos e ganhar agilidade no dia a dia. “Uma startup que vai prestar serviço ao Itaú precisa pensar na governança e se estruturar para atender bem o cliente. E nós as orientamos nesse sentido.”

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