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Chips corporais que abrem portas e substituem cartões podem ser possíveis em 5 anos

Em 2015, Eugene “Che” Chereshnev, vice-presidente global de marketing de consumo da Kaspersky, realizou um experimento que muitas pessoas podem considerar possível apenas em filmes de ficção científica: ele implantou um chip em sua mão esquerda e se tornou o primeiro cyborg profissional do mundo. 

“Tudo o que você imagina, você pode fazer. Até se tornar um cyborg”, disse ele durante apresentação nessa quarta-feira (27/1) na Campus Party, em São Paulo. O especialista completou que é profissional, porque faz isso para poder pesquisar mais sobre o assunto e as consequências que esse tipo de adoção pode trazer ao mundo real – mas outras pessoas já podem ter o feito por hobby.

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O chip, com 12 milímetros de comprimento e revestimento em vidro (para não ser rejeitado pelo corpo), foi adquirido on-line. “Eu poderia ter feito por meio de um médico, ou por um especialista em piercings. Mas o médico era paranoico e não queria fazer o procedimento, então paguei 50 dólares e em poucos minutos estava com o chip”, brincou.

Depois de implantado, Che conta que conseguiu a habilidade de abrir portas e desbloquear celulares – somente alguns dos exemplos demonstrados em vídeo durante a apresentação. 

Mas, de acordo com o especialista, as possibilidades são infinitas. “Em cinco anos, chegaremos em um momento de escolha da Matrix. Você pode carregar cartões, chaves e todas essas coisas de que precisa consigo, ou pode ter um chip e se livrar do resto”, afirma.

>> Confira em tempo real a cobertura completa da Campus Party 2016

O principal motivo pelo qual o executivo se aventurou nessa empreitada foi para mergulhar de cabeça na parte das pesquisas e explorar o potencial da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês). “Tive milhões de razões, boa parte por experimentação mesmo. Mas a principal é para que o mercado repense o que é a internet das coisas”, disse. “Para ser honesto, trabalho em uma companhia globalmente conhecida e viajo muito por conta disso. E conversando com pessoas percebi que apenas dez delas no mundo inteiro sabem o que realmente é o IoT.”

E por que não optar por um wearable, por exemplo? Chereshnev afirma que um chip traz uma situação diferente de estar com um vestível. “Quando você tem um chip implantado, você se torna uma coisa. Você toca algo e esse algo te dá uma resposta”, conta. Para ele, a experiência mudou, inclusive, o modo como ele vê a privacidade e a segurança de dados pessoais.

Um mundo de possibilidades
O que pode ser feito a partir de um chip implantado na pele vai além de destrancar portas e desbloqueio de smartphones. Há possibilidades como a substituição de documentos, como passaportes, seguro social, carteira de motorista. Pode ser possível até mesmo realizar pagamentos com um toque. 

Na área médica, ele pode ajudar com próteses, por exemplo. “O que o chip pode fazer é armazenar informação para tornar os implantes melhores, mais estáveis, ajustados ao comportamento de cada pessoa”, acredita Chereshnev.

O cenário parece promissor, então por que ainda não decolou? De acordo com o especialista, a criptografia falha ainda é um impasse e a questão da coleta de dados por empresas. 

Quando implantou o dispositivo na pele, o executivo conta que percebeu que as redes sociais sabiam mais sobre ele do que ele mesmo. “A quem você acha que pertence esses dados? Eles são de todo mundo, menos nossos”, observa. “Estava tudo ‘ok’ quando eu tinha um smartphone, mas com o chip isso é diferente. Quero ser dono do dado”, diz – o que não acontece atualmente, já que quem coleta todos os dados e os utiliza são as próprias empresas e isso é algo que ainda precisa ser repensado.

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Published by
Redação
Tags: CPBR9Eugene Chereshnevinternet das coisasKaspersky Lab
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