Jim Farley, CEO da Ford, reforçou em declarações recentes que a maior ameaça para as montadoras tradicionais não vem de Detroit, mas sim da China e da inovação ágil em software.
Durante podcast “Rapid Response”, conduzido pelo apresentador Bob Safian, o executivo declarou sua preocupação com o avanço de empresas como a Xiaomi e a consolidação da Tesla, que estabeleceram um novo patamar de eficiência e custo que os gigantes ocidentais ainda lutam para alcançar.
A declaração ganha peso após Farley admitir que tem conduzido um Xiaomi SU7 nos Estados Unidos há meses, tendo importado o modelo para testes internos. O executivo descreveu a experiência como “fantástica”, destacando a velocidade com que a gigante dos smartphones conseguiu desenvolver um ecossistema automotivo integrado e altamente competitivo.
“Não estamos mais falando apenas sobre carros elétricos; estamos falando de empresas de tecnologia que sabem fabricar carros em escala com custos 20% a 30% menores que os nossos”, pontua o CEO.
O alerta de Farley ressoa com a transformação digital da indústria automotiva. O CEO da Ford destacou que a China se tornou o epicentro da cadeia de suprimentos de baterias e de integração de software para veículos, o que permite que marcas como a Xiaomi ofereçam produtos premium a preços de entrada.
Segundo ele, se a Ford e outras montadoras não conseguirem igualar a estrutura de custos chinesa, o mercado ocidental pode entrar em uma erosão de margens sem precedentes.
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A percepção de Farley sobre o avanço chinês também explica as mudanças recentes na estratégia da Ford. A empresa tem redirecionado investimentos de grandes SUVs elétricos para o desenvolvimento de uma plataforma de veículos compactos e de baixo custo, liderada por uma equipe especializada na Califórnia, intitulado projeto “Skunkworks”.
A meta é criar um veículo que seja lucrativo em doze meses após o lançamento, combatendo a eficiência da Tesla e a pressão iminente das exportações chinesas.
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