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Brasil tem menor participação de mulheres na liderança da TI da região

As executivas brasileiras de tecnologia detêm a menor participação em cargos de liderança na América Latina. Segundo o estudo Women in Technology, conduzido pela consultoria especializa em recrutamento executivo PageGroup, o Brasil ocupa a última posição entre os países com menos mulheres em cargos de médio e alto escalão, com 66,8% de participação.

Por outro lado, o México está na liderança, com 84,3%, seguido por Colômbia (84%), Peru (77,9%), Argentina (76,6%) e Chile (68,7%). As profissionais de TI do Brasil, no entanto, acabam ocupando o maior volume de posições técnicas e de suporte à gestão, como assistentes, analistas, consultores e especialistas, com 33,2%, acompanhado de Chile (31,3%), Argentina (23,4%), Peru (22,1%), Colômbia (16%) e México (15,7%).

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Segundo elas, as empresas são as maiores responsáveis pelo desequilíbrio entre os sexos no ambiente de trabalho, motivo apontado por 48,1% das brasileiras entrevistadas. O número é inferior no Chile (43,8%), Argentina (29%), México (28,4%), Colômbia (27,1%) e Peru (19,4%).

Leia mais: Estudo: Diversidade é diferencial de compra para quase 90% das empresas

Por outro lado, as executivas brasileiras têm maior participação nos conselhos de administração das companhias instaladas na América Latina. O Brasil lidera a lista onde há mais de 50% de presença feminina nos boards das empresas, com 5,6%. Na sequência, aparecem México (5%), Colômbia (3,4%), Peru (2,8%) e Argentina e Chile, com nenhuma participação acima de 50%.

Esse cenário desigual, contudo, deve mudar no Brasil nos próximos anos. “O que eu tenho visto é uma intensa movimentação das companhias para recrutar mais mulheres em seus quadros colaborativos”, observa Luana Castro, gerente da divisão de Tecnologia do PageGroup. De acordo com a especialista, as empresas vêm buscando aumentar a participação feminina em cargos mais estratégicos, o que ajudará a diminuir essa diferença histórica.

Discriminação

Realizado em março e abril deste ano, o levantamento entrevistou 930 profissionais em cargos de alta e média gestão no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México. Do total, 72% são mulheres e 28% homens.

O mapeamento revela ainda que as profissionais brasileiras lideram as queixas na região por terem sofrido ao menos um episódio de preconceito e discriminação no trabalho (65,3%). A porcentagem é superior às registradas no México (55,7%), Peru (53,8%), Chile (47,8%), Colômbia (47,3%) e Argentina (45,8%).

Sobre a existência de uma política de equidade de gênero, os respondentes brasileiros também aparecem na dianteira ao relatar a inexistência de um programa de igualdade entre os sexos, com 66,9%, à frente de Peru (61%), Colômbia (55,6%), México (52,8%), Argentina (50%) e Chile (43,8%).

Quando questionados sobre o período necessário para que haja maior equilíbrio na igualdade de gênero dentro das empresas, os participantes brasileiros são os menos otimistas. Para 13,2% isso só ocorrerá após 25 anos, o que é compartilhado por chilenos (12,5%), mexicanos (8%), colombianos (7,9%), peruanos (6,5%) e argentinos (3,2%).

Inclusão de mulheres

Dentre os caminhos que podem estimular as empresas a contratarem mais mulheres em tecnologia, os respondentes brasileiros listaram: contratar mais mulheres mediantes processos de recrutamento sem vieses inconscientes (56,2%), promover campanhas de incentivo para que mais mulheres ingressem no universo da tecnologia (41,5%) e maiores oportunidades de promoção (40,8%).

Outro aspecto que também pode atrapalhar a atração e contratação de mais mulheres na tecnologia é a ausência de programas de benefícios direcionados a esse público. O Brasil liderou esse quesito (apontado por 76,6%). O país perde apenas para o Peru, com 77,4%. Em terceiro aparece o México, com 76%, seguido por Chile (71,9%), Colômbia (70%) e Argentina (67,7%).

Em relação ao programas de benefícios direcionados ao público feminino, os mais listados no país foram horários flexíveis (76,7%), home office/ teletrabalho (73,3%), oportunidades de carreira e desenvolvimento (70%), seguro-saúde (66,7%), programas de liderança feminina (63,3%), auxílio-creche/ berçário (56,7%).

Sobre a existência de programas de qualificação apoiados pela área de Recursos Humanos que diminuam os vieses em processos seletivos e promoções, a maioria dos respondentes da região não reconhece a existência de ações nesse sentido. A liderança é do Chile, com 71,9%, acompanhado por Peru (69,5%), Brasil (68,6%), México (63,8%), Colômbia (62,4%) e Argentina (60%).

O mapeamento também elencou algumas questões que indicam a baixa participação de mulheres em posições de tecnologia no Brasil. Entre os principais fatores estão o domínio masculino no segmento (57,4%), falta de inspiração e modelos a seguir para as mulheres (47,3%), processos seletivos favorecem os homens (35,7%) e menores oportunidades em cargos de liderança e promoções (34,9%).

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Published by
Karen Ferraz
Tags: equidadeequidade de gêneroliderançamachismo estruturalMulheresmulheres em TImulheres na tecnologiaPageGrouprecursos humanosWomen in Technology
5 anos ago

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