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Brasil sobe 4 posições no Ranking Mundial de Competitividade, mas especialista vê poucos avanços

O Brasil alcançou sua melhor posição no Ranking Mundial de Competitividade desde 2021. O estudo deste ano, promovido pelo Anuário de Competitividade do IMD, em parceria com o Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral (FDC), revelou que o país avançou para a 58ª colocação, superando a 62ª registrada no ano anterior.

No topo da lista, a Suíça assumiu a liderança, subindo da 2ª posição obtida no ano passado. Em seguida, aparecem Singapura, que manteve o destaque em performance econômica, e Hong Kong, com progressos em eficiência empresarial e institucional. Dinamarca e Emirados Árabes Unidos completam o top 5.

O resultado, no entanto, pode não ser tão animador quanto se imagina, refletiu Hugo Tadeu, diretor do núcleo, durante coletiva de imprensa. Segundo o executivo, apesar da posição indicar melhorias em áreas como desempenho econômico e eficiência corporativa, o Brasil continua no mesmo patamar de uma década atrás.

“Temos uma economia de voo de galinha, baseada na exploração dos nossos recursos naturais, e insistimos em uma agenda que não contempla reforma, simplificação tributária, inovação e tecnologia, livre comércio e formação”, afirmou.

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Para Tadeu, o país possui potencial de crescimento, mas ainda não realiza os investimentos adequados e deveria ter um foco maior na educação. Entre os itens analisados pelo ranking, o Brasil aparece na 68ª posição em mão de obra qualificada e na 69ª em educação primária e secundária, além de habilidades linguísticas. Hugo defendeu que o país não apenas valorizasse mais a educação, como também criasse um ecossistema que a favorecesse em prol da economia.

“As universidades brasileiras estão cada vez mais distantes da realidade que temos observado, porque os professores focam na publicação de artigos científicos, enquanto lá fora o foco está na geração de patentes, que impulsiona a criação de empresas.”

O executivo acrescentou ainda que, diante do boom da inteligência artificial, é essencial que o Brasil se torne produtor das tecnologias, e não apenas um país que “as adota rapidamente”. “Já passou da hora de termos um sonho grande para o Brasil”, afirmou.

O país também apresenta desempenho inferior em indicadores como dívida corporativa (68º) e crédito (68º), mas se sobressai em áreas como fluxo de investimento direto estrangeiro (5º), crescimento de longo prazo do emprego (7º), subsídios governamentais (5º), taxa de atividade empreendedora em estágio inicial (8º) e energias renováveis (5º).

A constância, no entanto, não é exclusividade do Brasil. Nos últimos anos, a Suíça, por exemplo, manteve um desempenho consistente, figurando entre as primeiras colocações. Singapura e Hong Kong também permaneceram no topo ao longo da década, com destaque para o ambiente de negócios eficiente, os investimentos em infraestrutura digital e políticas públicas voltadas à inovação.

Já a Dinamarca apresentou um avanço contínuo, subindo da 8ª posição em 2015 para a 4ª em 2025, impulsionada pela digitalização do setor público e pela consolidação de ecossistemas colaborativos de inovação. Os Emirados Árabes Unidos e Taiwan foram dois dos países que mais evoluíram no ranking, resultado de estratégias de diversificação econômica e investimentos expressivos em tecnologia e educação.

Nas últimas posições estão Venezuela (69º), Namíbia (68º), Nigéria (67º), Turquia (66º), Mongólia (65º) e África do Sul (64º). Essas nações continuam enfrentando desafios como instabilidade institucional, baixa integração econômica e infraestrutura deficiente. O anuário reforça a predominância de países da Ásia e Europa nas primeiras colocações do ranking, enquanto economias da América do Sul e do continente africano seguem majoritariamente entre os últimos lugares.

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