Brasil é robusto e maduro para investimentos em startups

Especialistas discutem na Rio Innovation Week as perspectivas para startups em cenário pós-pandêmico no Brasil

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11:50 am - 08 de novembro de 2022
Rafael Duton, cofundador da Movile; André Wetter cofundador da A55; Marcelo Astrachan, sócio e fundador da Darwin Capital Rafael Duton, cofundador da Movile; André Wetter cofundador da A55; Marcelo Astrachan, sócio e fundador da Darwin Capital

Diferente de anos atrás, os investimentos milionários em startups estão se tornando mais difíceis. Combinado com as demissões em massa vistas nos últimos meses, a sensação do mercado é de que as empresas não estão mais em seu melhor momento. Esse cenário foi discutido no painel “Investimento de Risco: pré-pandemia x cenário atual x perspectivas”, no primeiro dia do Rio Innovation Week.

Entretanto, para Marcelo Astrachan, sócio e fundado da Darwin Capital, quando há crises, o mercado volta sempre com fundamentos mais fortes. Atualmente, o ajuste feito é sobre o excesso de valuation. “Escutávamos isso de todos os fundos e os ajustes eram difíceis porque os empreendedores não estavam dispostos a flexibilizar. Porém, na minha visão, esse momento é ótimo pois as startups começam a viver mais próximas da realidade das empresas de capital real.”

De acordo com Rafael Duton, cofundador da Movile, hoje temos um mercado com empreendedores mais bem preparados para os negócios do que antes. Ainda assim, é importante entender a realidade de correção – que poderá acontecer por mais um ano.

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“Nos anos anteriores, boa parte de venture capital vinha dos Estados Unidos e tínhamos poucos fundos americanos no Brasil. Aqui era um playground para eles: lá estava ruim, eles vinham para cá e, quando tivesse bom, voltavam para lá. Quando os soft banks vieram com investimento, os fundos dos EUA tiveram que se estruturar e vir para cá”, pondera Rafael.

Em um passado mais recente, Marcelo citou a preocupação dos clientes sobre o cenário pós-eleição. “Eu tenho uma visão otimista porque para projetos bons, com boa tese, bons empreendedores, bom mercado e com solidez e estratégia de crescimento, sempre tem dinheiro disponível. Na área de M&A, o conceito se aplica também.”

André Wetter, cofundador da A55, concorda ao dizer que vivemos um cenário de oportunidade também para novos investimentos. “O que vemos é uma elevação de demanda por empresas pedindo crédito, pedindo outras formas de financiamento e de dinheiro para crescer. Isso abriu um pouco do mercado sobre como consegue fazer outras formas de captação para crescer. Temos visto também diversos fundos que conseguem ajudar as empresas a chegarem em outras rodadas.”

Essa busca por crédito demonstra a maturidade do mercado brasileiro. Segundo Rafael, imaginar que dívida seria uma opção de investimento para startups seria impossível há dez anos. Hoje, a startup pode fazer um investimento com venture capital tradicional e dívida combinada – algo sofisticado e de mercados mais maduros. “Isso comprova que temos um mercado extremamente maduro com empresas com previsibilidade e receita e um mercado grande o suficiente para continuar crescendo”, finaliza.

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