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Baixa conectividade é oportunidade em IoT na AL

Assim como foi com cloud computing e big data, o movimento de internet das coisas (IoT) não é algo totalmente novo e já vinha acontecendo ainda que de maneira insipiente em diversas partes do mundo. O fato é que o modelo ganhou  formato comercial e bem estruturado e agora parece estar pronto para um grande salto em termos de escala. Estados Unidos e Europa, com boa parte da população conectada e maturidade avançada em automação industrial, parecem ser grandes celeiros para a tendência, mas nesse amplo debate, a América Latina, que ainda patina em conectividade, é vista como terreno fértil para oportunidades por diversos players.

Pelo menos essa é uma das conclusões de um painel realizado durante a Futurecom 2015 que discutiu a situação de IoT na América Latina. O problema da conectividade sempre foi colocado em pauta, desde o advento da computação em nuvem. Contudo, nunca foi um impeditivo para a aplicação do modelo. Assim, Nina Lualdi, diretora de inovação para AL da Cisco, entende que esse baixo nível de conectividade, na verdade, se converte em oportunidade.

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“Sempre falamos que a conectividade é baixa na região e o debate é se vai ou não acontecer por conta dessa qualidade e o baixo número de pessoas e dispositivos conectados. Mas entendemos isso como oportunidade para gerar essa transformação de processos, o que é mais complicado nos EUA ou Europa onde a conexão é mais alta, mas também com muito legado. Queremos conectar, mas da maneira necessária para habilitar essa transformação”, detalhou.

Trata-se de uma região de 800 milhões de habitantes e que hoje representa menos de 1% das conexões, mas com amplo potencial. Atualmente, no mundo, pelos cálculos da IDC, são 10 bilhões de dispositivos conectados, ao passo que, em 2020, serão 30 bilhões. Qual será a representatividade da região nesse montante? O potencial é imenso, mas o trabalho a ser feito maior ainda.

No caso do Brasil, especificamente, existem câmaras organizadas pelo governo para discutir a criação de um marco de IoT e sua aplicação da melhor forma possível e regulamentar aquilo que for necessário, como lembrou José Gontijo, do Ministério das Comunicações. Para ele, mais que regulamentar, o governo assiste o movimento de maneira a não atrapalha-lo e com vistas a uma busca por interoperabilidade das plataformas. “É importante do ponto de bem estar da sociedade, mas também é importante na indústria, para mineração, agricultura e o poder público precisa acompanhar. Hoje existem várias plataformas, mas se muda o prefixo e um município ficou dependente, o que acontece? Temos que observar a interoperabilidade, as plataformas precisam conversar, como foi na época de GSM e CDMA, fora a parte de segurança, privacidade”, pontuou, dizendo que o governo vai atuar apenas no que for necessário, para impedir um avanço descontrolado.

Huawei e Cisco disseram já trabalhar em prol da interoperabilidade e Nina lembrou que, mais que fazer com que as plataformas conversem, é necessário a criação de frameworks que trabalhem não apenas na comunicação, mas também no sentido de tornar as informações seguras e manter a privacidade dos dados. A executiva frisou ainda que tais frameworks e trabalhos de interoperabilidade precisam, de alguma maneira, deixar espaço para inovação.

Também durante o painel, falou-se muito de não trabalhar IoT de maneira isolada, uma vez que o movimento está atrelado a outras tendências como traga seu próprio dispositivo ou big data. Para o diretor-geral da Aruba Networks, Roberto Ricossa, BYOD se levado para fora do ambiente corporativo vira um grande atrativo em aeroportos, por exemplo, já a análise de grandes volumes de dados se mostra essencial para gerar um valor ainda maior ao investimento que será feito para conexão de pessoas e objetos. “Precisamos aproveitar isso na AL e usar como vantagem competitiva. IoT é realidade, mas não isolada, conectada com outros modelos como big data, BYOD e quem trabalhar bem isso terá vantagens.”

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Redação
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