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Ascenty aposta em data center projetado para IA e anuncia US$ 1,2 bilhão em expansão

A Ascenty anunciou nesta quarta-feira (27) um aporte de US$ 1,2 bilhão para expandir sua infraestrutura voltada à inteligência artificial no Brasil. O pacote inclui a construção de quatro novos data centers na região metropolitana de São Paulo, sustentados por contratos já firmados com empresas globais de tecnologia.

Os empreendimentos somam 150 MW de capacidade, o equivalente a 40% de tudo o que a companhia construiu ao longo de seus 15 anos de operação.

O projeto do Sumaré 3

O principal projeto do ciclo é o Sumaré 3, primeira instalação da América Latina projetada desde a concepção para suportar cargas de trabalho de inteligência artificial em larga escala.

Com capacidade inicial de 90 MW, expansível para outros 90 MW, e 48 mil metros quadrados de área construída, o empreendimento receberá resfriamento líquido direto no chip em nível de rack e arquitetura em circuito fechado capaz de reduzir ou eliminar o consumo de água na operação.

O projeto, que responde por US$ 350 milhões do investimento total, está reservado integralmente para um único cliente, cujo nome não foi divulgado. As obras tiveram início em março e a entrega está prevista para o terceiro trimestre de 2027. No pico da construção, serão gerados cerca de 600 empregos, com 120 postos permanentes após a conclusão.

“Enquanto outros falam de investimentos futuros, nós estamos falando dos próximos oito meses”, diz Christopher Torto, CEO da companhia. “Só construímos data centers com contratos já assinados.”

Leia também: 74% das empresas já interromperam uso de agentes de IA após falhas operacionais

Vinhedo e o corredor digital de Campinas

O campus de Vinhedo, em operação desde 2019, também passa por expansão. A capacidade do Vinhedo 2 será elevada de 50 MW para 80 MW, enquanto o Vinhedo 3, nova unidade com 80 MW dedicados a cargas de IA, está em construção. Outros dois projetos, Vinhedo 4 e Vinhedo 5, já estão em desenvolvimento, elevando o campus a cinco unidades de grande porte.

Junto com Sumaré, Vinhedo forma o que a empresa chama de corredor digital de alta capacidade na região de Campinas, polo que reúne disponibilidade de energia, conectividade por fibra óptica e proximidade com a demanda corporativa da capital paulista. A Ascenty anuncia ainda a construção de seu sexto data center na cidade de São Paulo, com 20 MW voltados a clientes hyperscale e corporativos.

“Para escolher a região certa, o lugar tem que ter demanda de energia, conectividade e mão de obra”, diz Torto. “Ninguém aguenta ficar em São Paulo capital, mas ninguém quer ficar longe.”

Energia e gargalos logísticos

O CEO destaca as vantagens estruturais do Brasil no setor, mas aponta limitações que freiam o crescimento. “O Brasil tem mais energia do que usa. A grande desvantagem do país ainda são os impostos, principalmente sobre os produtos que precisam ser importados”, afirma. “Hoje o nosso maior gargalo é a questão das linhas de transmissão. O Brasil tem muita energia, inclusive renovável, mas não tem a mesma capacidade de transmiti-la.”

Conflitos geopolíticos e gargalos no transporte internacional também impactam os prazos de construção. O que antes era concluído em nove meses passou a demandar até dois anos.

Sobre a escolha por sistemas que dispensam água no resfriamento, Torto é direto: “Poderíamos ter uma eficiência melhor se usássemos água, mas preferimos não usar por uma questão de meio ambiente.”

Nordeste e expansão regional

Questionado sobre outras regiões, o CRO e head de estratégia Marcos Siqueira destaca o potencial do Nordeste. “Temos demanda no Nordeste. É uma região estratégica por ter o cabo submarino mais rápido do Brasil”, afirma. A Ascenty já opera um data center em Fortaleza.

A companhia opera ou tem em construção 40 data centers no Brasil, Chile, México e Colômbia, interligados por uma rede proprietária de fibra óptica de 4.000 quilômetros. Das 26 unidades na América Latina, 21 estão no Brasil. Todas as operações são certificadas como carbono neutro.

REDATA

A coletiva também abordou o avanço do REDATA, projeto de regulação federal para o setor de data centers. Para os executivos, o impacto que o projeto teria caso aprovado anteriormente já não é o mesmo, dado o ritmo dos investimentos e as mudanças trazidas pela reforma tributária.

“O atraso do REDATA faz com que, a cada ano que passa, seu impacto se torne menor”, avalia Werner Suffert, CFO da Ascenty. “Quando a decisão é tomada e o contrato é feito, a questão tributária já foi resolvida.”

Siqueira, contudo, defende que o projeto ainda tem papel relevante. “O REDATA é importante justamente para o Brasil não se transformar em uma fazenda de data centers. Ele obriga que todo investimento destine pelo menos 2% para pesquisa e desenvolvimento tecnológico, além de regulamentar questões ambientais”, diz.

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