Ação judicial acusa a OpenAI e ex-funcionários da Apple de obter informações confidenciais sobre produtos, processos e cadeia de suprimentos
A Apple abriu uma disputa judicial contra a OpenAI ao acusar a empresa de inteligência artificial (IA) de utilizar segredos comerciais para acelerar o desenvolvimento de sua futura linha de dispositivos voltados à IA. A ação, protocolada na Justiça Federal do Distrito Norte da Califórnia, amplia a tensão entre duas companhias que, até recentemente, mantinham uma parceria em torno da integração do ChatGPT aos produtos da fabricante do iPhone.
Segundo a Apple, ex-funcionários da empresa teriam repassado informações confidenciais relacionadas a projetos ainda não anunciados, processos de manufatura e estratégias da cadeia de suprimentos para beneficiar os planos da OpenAI no mercado de hardware.
Entre os réus estão Chang Liu, ex-engenheiro sênior da Apple, e Tang Tan, ex-vice-presidente responsável pelo design de produtos como iPhone e Apple Watch e atualmente chefe da divisão de hardware da OpenAI. Também são citadas na ação a OpenAI e a io Products, startup fundada por Jony Ive posteriormente incorporada à empresa de IA.
A fabricante afirma que identificou evidências de uma atuação coordenada para obter informações estratégicas durante processos de recrutamento. Conforme a petição, candidatos oriundos da Apple teriam sido incentivados a compartilhar detalhes técnicos sobre produtos em desenvolvimento, componentes, processos industriais e fornecedores da companhia.
Além disso, a Apple sustenta que executivos ligados ao projeto de hardware da OpenAI orientaram profissionais em processo de desligamento sobre formas de contornar procedimentos internos de segurança e proteção de propriedade intelectual. A empresa também afirma que representantes da OpenAI buscaram acesso a fornecedores estratégicos utilizando informações obtidas de maneira indevida.
O processo acontece em um momento em que a OpenAI amplia sua atuação além dos modelos de inteligência artificial. Em 2025, a companhia anunciou a aquisição da io, empresa criada pelo ex-chefe de design da Apple Jony Ive, com o objetivo de desenvolver uma nova categoria de dispositivos voltados à IA. A expectativa do mercado é que os primeiros produtos sejam apresentados ainda este ano.
A Apple argumenta que as supostas irregularidades tiveram como finalidade acelerar esse projeto de hardware. Entre as alegações estão o uso de codinomes internos de produtos da Apple durante processos seletivos, solicitações para apresentação de componentes físicos em entrevistas e obtenção de documentos relacionados a tecnologias ainda não lançadas comercialmente.
De acordo com informações divulgadas pela Reuters, a fabricante busca responsabilizar tanto os ex-funcionários quanto a OpenAI pelo suposto uso indevido de informações confidenciais para fortalecer sua entrada no segmento de dispositivos de consumo.
A OpenAI negou as acusações. Em comunicado citado por diferentes veículos, a empresa afirmou que não tem interesse em utilizar propriedade intelectual de terceiros e contestou as alegações apresentadas pela Apple.
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O litígio marca uma mudança significativa na relação entre as duas empresas. Em 2024, Apple e OpenAI anunciaram uma colaboração para incorporar recursos do ChatGPT ao ecossistema Apple Intelligence. Desde então, porém, a relação se deteriorou à medida que a OpenAI passou a investir no desenvolvimento de hardware próprio, movimento que a coloca em competição direta com a fabricante do iPhone.
Especialistas do setor avaliam que o caso pode se tornar uma das disputas mais relevantes envolvendo propriedade intelectual na indústria de inteligência artificial. Além de discutir a proteção de informações estratégicas e a mobilidade de talentos entre grandes empresas de tecnologia, o processo poderá influenciar o desenvolvimento de novos dispositivos baseados em IA e o ambiente competitivo entre fabricantes de hardware e desenvolvedores de modelos de inteligência artificial.
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