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A jornada do Watson como base dos negócios da IBM

Pode soar muito otimista ou muita loucura, mas, basicamente, é como se o Watson, o supercomputador da IBM, saísse de uma extremidade do que a Big Blue tem como ideia de negócio e, aos poucos, se tornasse a base de toda abordagem de ofertas da companhia e seus parceiros. Um divisor de águas para o que a companhia vê como futuro.

Com capacidade de aprender sobre um tema e não somente pesquisar informações em bancos de dados, a máquina de computação cognitiva da IBM tem sido amplamente difundida nos últimos anos, desde que venceu o Jeopardy!. De 2011 para cá, o Watson tem sido efetivamente aplicado como ferramenta de apoio e inteligência nas áreas da saúde, varejo, finanças entre outras.

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Em janeiro, a IBM anunciou uma nova divisão totalmente criada para desenvolver negócios para o Watson. Com investimento de US$ 1 bilhão, a iniciativa foi extremamente arrojada por parte da companhia e reflete uma alta aposta da fabricante, uma vez que foram ?apenas? US$ 100 milhões gerados pelo supercomputador em receita até agora. Para a área, foram disponibilizadas cerca de 2 mil pessoas da fabricante.

E talvez mais indícios de que a Big Blue quer mesmo transformar o Watson em algo tão grande quanto foi o mainframe na década de 50 tenham sido espalhados durante o PartnerWorld Leadership Conference, em Las Vegas. CEO da IBM, Ginni Rometty disse que o Watson terá um papel fundamental para os negócios da empresa ?e na transformação da relação pessoa e máquina?.

Ela falou mais sobre o Watson Ecosystem, iniciativa lançada em novembro de 2013 que, literalmente, abre o Watson para que desenvolvedores criem aplicações na nuvem baseadas em computação cognitiva. A ideia é gerar novas categorias de softwares e apps para o mercado corportivo, abrangendo a diversas verticais econômicas. Nesta toada, os canais também podem ser envolvido. Basta ter uma boa ideia que possa viabilizar negócios.

Uma das visões que é compartilhada pela IBM, assim como por muitas outras empresas de TI e especialistas da área, é que as empresas do futuro serão baseadas em dados, ou seja, em tomadas de decisões por meio da análise dos dados.

Sendo assim, o fomento do Watson só tende a ganhar tração dentro dos negócios de Big Data da IBM. A força da análise preditiva com a capacidade prescritiva do supercomputador pode dar um diferencial competitivo tremendo para a Big Blue. E, por enquanto, não há outro fabricante no mundo corporativo que concorra com a IBM neste segmento.

Fato é que a companhia tem que aprender a lidar com esse novo negócio de forma efetiva. Foram anos até entender de maneira concisa a proposta de computação em nuvem – chego a dizer que apenas após a aquisição da SoftLayer a IBM começou a ter uma verdadeira plataforma para computação em nuvem.

Levou um tempo, mas eles têm acertado o passo neste segmento – um pé de cada vez, é verdade, mas é um começo. Em 2013, foram US$ 24 bilhões em receita de nuvem e análises, sendo que um terço desse valor foi feito pelos parceiros, disse Ginni em seu discurso para os mais de 2 mil parceiros presentes em Las Vegas.

Vale lembrar que a companhia quer construir 15 novos data centers em todo o mundo para suportar sua iniciativa de computação em nuvem. Um desses DCs ficará no Brasil. O investimento será de US$ 1,2 bilhão e ampliará em muito a concorrência pelos serviços na nuvem. E, uma vez que a fabricante tiver essas estruturas de pé, trazer a inteligência do Watson para trabalhar in loco é questão de tempo.

Até 2013, a CEO espera que o Watson alcance US$ 10 bilhões em receita. O valor é considerável, tendo em vista que não será mais o modelo de vendas de caixas (volume), mas, sim, de inteligência.

Se estou correto? Não sei. Creio que faz sentido. Há um ano eu escrevi que a SAP se tornaria uma empresa de serviços na nuvem e ouvi algumas críticas. Alguns movimentos no mercado de TI soam muito claros, mas ficam perdidos em meio a tantas dúvidas quanto à segurança, disponibilidade e modelos de negócio. Mas reforço: agora que me parece que a IBM está conseguindo encontrar um caminho de volta à lucratividade, vendendo a área de hardware para a Lenovo e se desconectando das ?caixas? pouco a pouco, fazer o Watson uma máquina de dinheiro pode ser o derradeiro fim para uma nova IBM, talvez até assegurando mais 100 anos de vida.

*O jornalista viajou ao PartnerWorld Leadership Conference à convite da IBM

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Published by
Redação
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