Notícias

A era da saúde 4.0

A transformação digital no setor de saúde envolve diferentes tendências, que surgem com o objetivo de ampliar os benefícios aos pacientes e prestadores de serviços no segmento. Tele assistência, uso de aplicativos de engajamento do paciente, aplicação da inteligência artificial (IA) nos processos de assistência e análises avançadas de dados com tecnologias de big data têm sido alvo de investimentos recentes como forma de racionalizar custos e melhorar os serviços.

Todas as aplicações já implantadas geram uma grande quantidade de dados valiosos. Garantir a disponibilidade e a segurança deles é uma premissa básica e atual, mas para que a tecnologia possa de fato evoluir nesse setor, é necessário dar um passo além, integrando todo o fluxo de informações relacionadas à saúde.

Hoje, a fragmentação de dados como prontuários e receitas é um dos principais problemas enfrentados por diferentes agentes de saúde e resolvê-lo envolve a aplicação de tecnologias capazes de “conversar” com os sistemas atuais para centralizá-las em um único repositório de dados e torná-los disponíveis para melhorar a assistência e otimizar os recursos.

Nesse sentido, um projeto desenvolvido em nossa vizinha Colômbia salta aos olhos em questão de interoperabilidade. Recentemente, a capital do país, Bogotá, implantou um projeto para integrar informações de pacientes em 22 hospitais públicos da região. A solução empregada é baseada em ‘Fast Healthcare Interoperability Resources’ (FHIR), o último padrão de interoperabilidade desenvolvido e promovido pela organização internacional ‘Health Level Seven’ (HL7), empresa responsável por alguns dos protocolos de comunicação mais utilizados na área da saúde.

A partir desta iniciativa, os profissionais da assistência obtêm respostas rápidas e precisas que os apoiam nos processos de tomadas de decisão clínicas, além de outras ferramentas que auxiliam em projetos de pesquisa clínica e trabalhos científicos.

A integração dos processos de gerenciamento de consultas e prescrição eletrônica também traz benefícios importantes: permite aos cidadãos acompanhar seus compromissos através de um portal e melhorar o controle da demanda de agendamentos. Além disso, gerencia todo o processo das receitas médicas, acelerando o acesso dos pacientes aos medicamentos e reduzindo o deslocamento dos pacientes com doenças crônicas.

O acesso em tempo real as informações de relatórios médicos, laudos, testes, medicamentos, antecedentes ou alergias apoia muito a tomada de decisões e os cuidados em relação à saúde, além de fornecer uma visão completa da história do paciente. Com isso, é possível melhorar a assistência prestada, aumentar a produtividade e diminuir os procedimentos administrativos e burocráticos envolvidos em toda a cadeia.

Esses são os benefícios obtidos em uma das maiores cidades da América Latina e, com base nisso, não é difícil imaginar o que outras grandes metrópoles podem ganhar com o emprego de tecnologias avançadas que facilitem o uso dos dados de maneira integrada.

É claro que o cenário brasileiro traz muitos desafios. Hoje, questões simples como atendimento, profissionais qualificados e acesso a sistemas eficientes carecem de atenção, mas é fundamental olhar para o futuro e entender que é um cenário possível, ainda que em longo prazo.

Com o envelhecimento da população e a concentração cada vez maior de pessoas nos grandes centros urbanos, investir em saúde tem de ser algo ainda mais prioritário para os próximos anos. O avanço das tecnologias disruptivas e das ‘health techs’ com certeza contribuirá para a melhora desse cenário.

As demandas cada vez mais se intensificam para que as instituições trabalhem com modelos de assistência integrada que incluem além do tratamento, a prevenção e o bem-estar e para isso, mais do que nunca o uso dos dados, a história completa dos pacientes se tornam ativos cada vez mais valiosos. Há um caminho possível para isso: integração das informações, em todos os agentes e sistemas de toda a cadeia.

Concluindo, é mandatório planejar e investir cada vez mais em tecnologias, integração e análise de dados para melhorar a assistência ao paciente e fazer as instituições de saúde cada vez mais eficientes.

*Willian Soares é gerente de Saúde da Minsait no Brasil

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

9 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

12 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

14 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

1 dia ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

1 dia ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

1 dia ago