5 Tendências de APIs para 2024

Conheça as principais apostas da Sensedia para o mercado de API

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3:08 pm - 23 de janeiro de 2024

APIs são largamente utilizadas por todos os portes e segmentos de empresas no mundo. Mas, assim como em outros mercados de tecnologia, as tendências de uso mudam rapidamente.

Em coletiva de imprensa, a Sensedia apresentou as cinco apostas da companhia para APIs no mundo – e, claro, não poderia faltar Inteligência Artificial, Open Finance e outros temas.

Confira:

IA começa a transformar, permanentemente, aplicações existentes

Desde a sua chegada ao mercado, o ChatGPT se tornou um hype entre empresas de todo o mundo. E o acesso programático via APIs em seu modelo de linguagem acabou de começar, o que desafiará os desenvolvedores a criar.

Entretanto, o modelo da OpenAI não é a única IA generativa do mundo. Desde gigantes da tecnologia até startups terão seu papel na tecnologia. Além disso, existem IAs que não são generativas, mas que usam a IA generativa como processamento de linguagem natural ou imagem, ou uma variedade de aplicações de IA para os mais diversos propósitos, que se beneficiará do hype e fornecerá extensões poderosas para aplicações, desde IA cotidiana até IA disruptiva.

De acordo com a Sensedia, todos os tipos de programa usarão APIs de IA, não necessariamente com um usuário humano por trás. Entretanto, é de extrema importância que o uso de APIs de IA seja devidamente governado, porque existem enormes implicações de segurança e privacidade ao lidar com dados sensíveis ou usar uma plataforma que pode não oferecer o nível de proteção que suas aplicações, usuários ou indústria exigem. Sem mencionar as questões éticas associadas ao treinamento de um algoritmo com machine learning ou os usos maliciosos de uma plataforma que foi projetada de boa-fé para fornecer conselhos úteis e positivos.

Paolo Malinverno, head de Estratégia e Inovação na Sensedia, dá o exemplo do que aconteceu em diversas eleições passadas com APIs ou redes sociais – plataformas que foram usadas para distorcer o eleitorado.

“Por isso, as regulações são importantes. Mas é muito fácil, obviamente, dizer que precisa ser regulamentado. Como fazemos isso é uma história totalmente diferente. Eu estou na Europa e a União Europeia começou uma regulamentação muito atrasada. Também estamos vendo iniciativas de outras regiões. Mas, a questão é que API não tem fronteira. Quando você usa uma API você não diz se é do Brasil ou dos Estados Unidos. A API não sabe de onde vem a chamada, a menos que tenha algo específico na plataforma”, comenta o executivo em coletiva de imprensa realizada hoje (23).

Leia mais: 4 abordagens para empresas alcançarem uma ‘mentalidade aberta’, segundo a Sensedia

A Sensedia recomenda, nesses casos, começar a testar a tecnologia de IA em suas aplicações, por meio de APIs de IA devidamente governadas. As empresas devem se concentrar em aplicações mais inovadoras, mas sem se esquecer das existentes – todas podem se beneficiar da IA também.

Engenharia de plataforma torna-se mais sistemática

A definição de plataforma nem sempre é tão clara, mas diversas APIs juntas são, no mínimo, o começo de uma. A engenharia de plataforma funciona da seguinte maneira: o foco dos provedores de APIs não é vender o que têm, mas fornecer aos consumidores de APIs o que eles precisam, de maneira user-friendly e self-service.

E embora as APIs sejam ótimas para começar uma plataforma, elas não são as únicas coisas a se levar em consideração. Tudo o mais que o desenvolvimento de software e a operação de aplicações precisam, como event handlers, partes da interface do usuário, modelos de dados, templates de arquitetura, lógica de processo, microsserviços e APIs fornecidas por terceiros, também são parte da equação.

Ou seja, apesar de a engenharia de plataforma não ser algo novo, é a evolução de uma ciência que começou décadas atrás. O mercado entendeu como fazer a composibilidade da maneira certa.

No passado, comenta Malinverno, sempre existiram grandes plataformas para tudo funcionar. As empresas publicavam as APIs, reordenavam informações para seus fornecedores e criavam uma plataforma. Mas tudo era feito de uma maneira “egoísta”.

“A engenharia da plataforma é quase o oposto e isso vira de cabeça para baixo o mercado. Não se trata do que a plataforma quer oferecer. É sobre o que o ecossistema quer comprar. Do proprietário da plataforma há um ponto de vista completamente diferente. A novidade é o fato de a engenharia da plataforma ser projetada para fácil consumo, normalmente de autoatendimento”, diz ele.

Ou seja, as companhias devem deixar as plataformas serem orientadas pela demanda – e só colocar algo na plataforma quando souber que tem um potencial seguro para atender a vários consumidores. Se as APIs em uma plataforma não são usadas o suficiente, é preciso descobrir o motivo antes de adicionar mais APIs. Se seus bolos não vendem, não faz sentido assar mais unidades.

Open Finance amadurece mundialmente

Open Finance não é uma tendência nova. Sua maturidade varia bastante dependendo de cada região. 2024 será um ano em que as instituições financeiras em países avançados de Open Banking (como Brasil ou Escandinávia) demonstrarão cada vez mais que a abertura não é apenas algo que devem fazer para seus usuários ou para somente atender ao compliance. Abrir é uma decisão de negócios vantajosa para suas instituições financeiras também, trazendo novas receitas e novas oportunidades.

Kleber Bacili, CEO da Sensedia, afirma que a evolução do Brasil no Open Finance é muito positiva e que nós avançamos muito mais rápido do que outros países. “O que o mercado enfrenta de dificuldades no geral é o fato de ser um grande ecossistema onde você tem corretores, você tem muitos players para serem integrados, de forma mais eficiente e capacitando o cliente final sobre como usar durante os dados. É uma grande mudança de mentalidade sobre como lidar com os dados do cliente.”

API gateways múltiplos/federados tornam-se mais comuns

O uso de serviços em nuvem está crescendo em todos os lugares. Os hyperscalers de cloud, como Amazon e Microsoft Azure, assumidamente não se importam muito em ganhar dinheiro com suas plataformas de API management, que são vistas como um meio para alavancar o uso de seus serviços em nuvem. Muitas vezes, eles as oferecem com descontos significativos. Esses gateways cloud-centric tornam-se, então, uma opção fácil e default para colocar APIs, não importa qual seja a plataforma de API management escolhida pela empresa. Essa situação está longe de ser ideal.

Plataformas de API management tornaram-se uma feature padrão em quase toda infraestrutura de aplicações em qualquer indústria, em todo o mundo. Existem vários tipos delas, desde os gateways tradicionais e maduros, como Mulesoft, até várias opções de código aberto, como Kong, que oferecem diversas opções de integração com microsserviços, ou ainda para uso específico, como microgateways e service meshes.

Embora rodar um sistema de API management (gateways e portal de desenvolvedores) de um único provedor continue sendo a melhor prática, evidências do uso de outro gateway, para suportar casos de uso diferentes ou como consequência de escolhas mais amplas de serviços em nuvem (ou multi-nuvem), estão se tornando mais comuns, especialmente em empresas de médio a grande porte.

Cada plataforma de API management vem com sua própria interface administrativa, tornando mais difícil ter uma visão consistente e abrangente do portfólio de APIs em toda a empresa, evitar duplicações, aplicar políticas de forma consistente, evitar shadow APIs, fornecer documentação unificada de API, promover a reutilização, entre outros.

De acordo com a Sensedia, independentemente da plataforma de API management usada, é preciso se certificar de que a administração suporta o deployment de múltiplos gateways. Quanto menos plataformas de API management, melhor, então são preferíveis as ofertas que tenham uma visão multi-gateway.

Consumo não-técnico de APIs dispara

Desde o início da Economia de APIs, o foco estava nos desenvolvedores de software. Eram necessários desenvolvedores para projetar e implementar as APIs e colocá-las em um portal de desenvolvedores (desenvolvedor provedor). Em seguida, precisava de outros desenvolvedores que estavam implementando novos aplicativos ou experiências do usuário, potencialmente fora de sua empresa, em busca de acesso a dados específicos que você fornece ou a funções que a empresa executa em uma indústria, e esperavam encontrar a API certa no portal de desenvolvedores (desenvolvedor consumidor).

Esse foco ainda está presente, mas recentemente, tendências como a engenharia de plataforma, que endereça explicitamente capabilities user-friendly e self-service, deslocaram o foco decisivamente para o desenvolvedor consumidor.

Tudo isso contribuirá para o crescimento no consumo de APIs, mas a Sensedia acredita que a maior parte do crescimento que começará em 2024 e continuará nos anos seguintes virá de outro lugar: o consumo não-técnico e não-humano de APIs.

Hoje, plataformas low-code já permitem que não-técnicos componham novas aplicações com APIs e outros building blocks (por meio de marketplaces de API, privados ou públicos, ou plataformas mal projetadas – veja acima). Esses não-técnicos, incluindo especialistas de negócios e desenvolvedores/integradores, têm vários nomes. Segundo analistas do setor, os não-técnicos superam os programadores em uma proporção de 10 para 1, se não mais. Eles não usarão APIs de tecnologia/sistema, mas usarão APIs de experiência de nível mais alto (como retornar o saldo da conta bancária).

Além disso, conforme se tornam mais sofisticados, os chatbots consumirão APIs cada vez mais. “Os consumidores não humanos de API não dormem. Eles trabalham aos sábados e domingos. Eles nunca fazem greve. Quando se trata de grandes moléculas de linguagem, temos as APIs maiores, onde os módulos podem entrar no portal de desenvolvedores, por exemplo. Eles podem entender o que uma API faz, chamá-la e ver o que retorna e entender se isso é útil para eles. Portanto, alguns deles estão ficando cada vez mais inteligentes”, finaliza Malinverno.

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Laura Martins

Editora do IT Forum. Jornalista com mais de dez anos de atuação na cobertura de tecnologia. É a quarta jornalista de tecnologia mais admirada no Brasil, pelo prêmio “Os +Admirados da Imprensa de Tecnologia 2022” e tem a experiência de contribuições para o The Verge.

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