A banda larga pela rede celular de terceira geração (3G) será o grande diferencial que Claro, TIM e Telemig estão prestes a oferecer aos brasileiros, sejam clientes ou não. E os maiores beneficiários serão os internautas sem acesso a outro tipo de banda larga, como o cabo de operadoras de TV ou o fio de cobre do telefone fixo com o ADSL. “Todo mundo sabe que o ADSL perde capacidade ao se distanciar das centrais telefônicas e que a TV a cabo não chega a todos os bairros”, comenta o presidente da Claro, João Cox.
Ele se diz muito feliz com a decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), na semana passada, de finalmente permitir que as três teles obtenham a autorização para estrear os serviços de terceira geração. As três empresas implantaram uma rede (restrita) de 3G na faixa ociosa de 850 MHz, mas tiveram problemas na aprovação de suas licenças para operação. Isso resultou do fato de haver uma ala de conselheiros da Anatel que entendia que a 3G só poderia ser transmitida na faixa selecionada para isso, 1,9 GHz a 2,1 GHz. Na semana passada, porém, chegou-se a novo consenso na Anatel e as demais faixas foram liberadas.
Resta, neste momento, que as operadoras cadastrem seus equipamentos junto à Anatel (as que haviam feito o processo terão de fazê-lo novamente) e recebam a autorização de praxe para colocar a estação radiobase em operação. A rede da Telemig está implantada em Belo Horizonte, a da Claro abrange seis capitais (São Paulo, Porto Alegre, Rio, Fortaleza, Recife e Belo Horizonte) e a da TIM inclui somente as cidades em que opera em 850 MHz, como o Sul, o Norte e Minas Gerais. Os grandes centros – São Paulo e Rio – estão fora das possibilidades imediatas da TIM, porque neles a operadora só possui rede 1,8 GHz. Terá de aguardar pelo leilão previsto para 18 de dezembro.
Campanhas publicitárias e apetrechos (telefones e modems) já foram adquiridos pelas teles e estão à espera de desembarcar nas lojas. Alguns já circulam hoje, com a tecnologia 2,5 G e poderão ser aproveitados quando houver 3G. A expectativa é grande com relação aos modems que são fáceis de transportar e podem conectar laptops e computadores de mesa.
As velocidades de tráfego da rede de terceira geração (no mínimo 2 Mbps) vão mudar os paradigmas da banda larga brasileira, acredita Cox. “Na última pesquisa, viu-se que 77% dos clientes de banda larga têm menos de 1 Mbps de velocidade. Esses vão poder se beneficiar muito”, disse Cox. Ele garante que haverá tarifas acessíveis e que a proximidade do Natal vai alavancar a saída da 3G.
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