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Nos tempos do Twitter

O tempora! O mores!

Não, isto não significa “Oh, tempo das amoras” como costumava dizer um velho cronista, se não me falha a memória o Apparício Torelly, Barão de Itararé, redator da saudosa “A manha” (mas não leve muita fé nisto porque a memória tem me falhado muito ultimamente; vale, porém, a homenagem ao velho Aporelly, que tanta falta tem feito à inteligência brasileira).

Mas, dizia eu, a frase não é do Barão, mas de Marcus Tullius Cicero, o autor das Catilinárias (seu busto é mostrado na figura acima, obtida na Wikipedia). E quer dizer: “Oh, tempos! Oh, costumes!”. É uma forma deferente de dizer “sinal dos tempos”.

A intenção de Cícero era ressaltar ? talvez lamentar ? que os costumes evoluem e mudam com o tempo. E a frase é usada toda vez que alguma coisa nova interfere em costumes antigos, tradicionais.

Como as redes sociais estão interferindo nos modos, na vida e nos costumes da maioria de nós.

No que me diz respeito, confesso, nunca tive grandes simpatias por qualquer uma delas. Na verdade, uma em particular, o Twitter, chegou a me inspirar razoável antipatia e deu azo a que eu escrevesse uma coluna no Estado de Minas esculhambando com ela.

A razão da antipatia era justamente o mote que, naqueles dias, encimava a pequena caixa ? onde só cabem 140 caracteres ? de postagem de comentários na dita rede. Rezava ela: “O que você está fazendo agora?” (mudou; atualmente é “What´s happening“, ou “o que está acontecendo?”).

Como a explicação fornecida pela própria rede sobre a necessidade de informar ao mundo sobre aquilo que se estaria fazendo a cada momento era de um ridículo atroz, eu concluí, literalmente, que aquela rede não passava de um modismo e que “a tendência é que este, como todos os demais modismos, definhe e desapareça“.

A coluna ainda está disponível na seção “Escritos / Coluna Técnicas & Truques” do Sítio do Piropo e, considerando o porte que o Twitter alcançou nos dois anos e meio que se passaram desde que foi publicada, serve como prova viva e inconteste de minha absoluta inaptidão para efetuar previsões com uma margem de acerto mínima que seja.

Quer dizer: o Twitter está aí, firme e forte, e eu continuo na mesma. Inclusive mantendo minha solene antipatia por um negócio destinado a comunicar ideias suficientemente estreitas para caberem em 140 caracteres.

Não obstante acabei aderindo a ele (o que talvez demonstre que minhas ideias não são tão amplas quanto eu imaginava). Inscrevi-me, e tenho já quase meio milhar de seguidores. Mas não me iludo: sei bem que isto não representa muita coisa. Afinal, há intelectuais do porte de uma Lady Gaga e um Justin Bieber que passam muito da dezena de milhões, o que dá uma  boa medida do padrão cultural dos frequentadores do Twitter.

Quanto a mim, é fato que aderi, mas me limito a usar o Twitter para a única coisa que, ao que me parece, ele tem alguma serventia: dar recados (e isto vale para tanto para o ele quanto para sua irmã mais gorda, a outra rede popular, o Facebook). Através delas aviso a meus poucos leitores que postei alguma coluna nova em algum lugar e a meus alunos que uma apostila passou a estar disponível ou que as notas foram lançadas. E temos conversado.

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