Negócios

Bossanova pretende ‘relançar’ BossaBank nos próximos meses, mesmo após quebra do SVB

Apesar das incertezas que rondam o ecossistema empreendedor, João Kepler, presidente e fundador da Bossanova Investimentos, continua otimista com o segmento de startups early stage no Brasil. Em conversa com IT Forum nesta quinta-feira (23), primeiro dia do Bossa Summit, o investidor confirmou que os planos para o relançamento do BossaBank continuam em pé, mesmo após a quebra do Silicon Valley Bank (SVB).

Lançado em abril do ano passado, o BossaBank é o banco de investimentos da Bossanova Investimentos com operação voltada para pessoas jurídicas, em especial jovens startups, pequenos negócios e pequenos empreendedores. O banco segue os moldes do SVB, banco norte-americano que era uma referência nesse segmento, mas que colapsou após atual escalada de juros nos Estados Unidos e de uma corrida bancária no início deste mês.

Leia também: Startups brasileiras tinham mais US$ 10 mi no Silicon Valley Bank

Segundo Kepler, o BossaBank “diminuiu a velocidade” por conta de ofertas que ainda não haviam sido entregues pelo parceiro de tecnologia do banco, o Banco Modal. Entre elas estão a antecipação de recebíveis e o cartão de crédito internacional, consideradas essenciais para o tipo de operação que o banco ambiciona.

“Nosso parceiro, está falando que em mais ou menos quatro meses deve colocar todos recursos que a gente precisa no ar. Se isso acontecer, nós vamos novamente relançar o BossaBank porque ele é muito importante para as startups brasileiras”, afirmou o investidor.

Confiança no early stage

Kepler vê a falência do SVB como um “alerta” para o mercado bancário financeiro mundial, mas afirma que os planos com o BossaBank seguem os mesmos e que segue confiante no segmento de startups early stage do país.

“A gente não quer ser um mais um banco para pessoas físicas ou mais um banco digital. Não queremos usar nossa marca para isso. Nós queremos nossa marca em um banco que ajude o pequeno negócio, pequeno empreendedor e a startup no early stage“, pontuou.

Entre 2021 e 2022, a Bossanova aumentou seus investimentos em startups early stage, apesar da queda do mercado global e nacional de 2022. O salto foi de R$ 51 milhões para R$ 60 milhões em investimentos, enquanto o mercado nacional teve redução no volume de investimentos de US$ 11,4 bilhões para US$ 4,5 bilhões entre 2021 e 2022.

A confiança continua mesmo após o mais recente aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. Nesta quarta-feira (22), o FED, banco central dos Estados Unidos, realizou o nono aumento seguido da taxa de juros do país, de 0.25%. O aumento levou ao agravamento da preocupação do segmento bancário com possíveis novos episódios similares ao do SVB.

Leia mais: Startups lideram M&As no Brasil por dois anos consecutivos

Para Kepler, no entanto, a escalada não representa um grande impacto para o venture capital. “Eu acredito que a taxa de juros, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, atrapalha mais o mercado acionário. A gente é um mercado privado, vai muito mais o apetite do investidor”, explica. “Não quero dizer que não tem relação, mas nosso ativo é descorrelacionado.”

Ainda assim, o investido reconhece o novo momento para aportes no mercado nacional e global, e prevê que, neste ano, uma nova redução no volume de investimentos a partir de Série A deve ocorrer no Brasil. “Os fundos estão muito mais seletivos, mais prudentes. Ninguém está querendo investir em startups que estão queimando caixa, que não têm validação ou clientes pagantes. Tudo isso traz um freio de arrumação importante para o mercado.”

E finaliza: “Vai ser mais lento, mas nós ainda vamos investir. A gente quer mostrar ao mercado que o investimento continua, as startups continuam resolvendo os problemas e que os pequenos negócios carregam o Brasil.”

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