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Não existe transformação digital sem a transformação de pessoas

A transformação digital não é mais uma promessa, mas sim um fato. Neste sentido, o questionamento que os líderes devem fazer a si mesmos não é: minha empresa implementará processos de transformação digital? Na verdade, o que devemos traçar são estratégias de como acelerar estes processos o quanto antes, do contrário, qualquer empresa, independentemente de seu porte, correrá sérios riscos de perder o curso da história e se tornar obsoleta.

E isso porquê, em uma era de inovações disruptivas, empresas que não souberem adotar um espírito inovador ficarão para trás, tanto em termos de perspectiva de desenvolvimento, quanto no seu poder de competitividade dentro de um determinado segmento.

Não à toa, dados divulgados pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, mostram que as empresas que investem em peso na transformação digital e se especializam em seus recursos, tornando-se assim, verdadeiras mestras nesta nova realidade do mercado, são 26% mais lucrativas em suas atividades do que as outras no ambiente corporativo atual. Mas, a verdade é que, quando pensamos na realidade brasileira, muitos passos ainda precisam ser dados para que tenhamos, de fato, uma cultura que fomenta a transformação digital como um valor. Segundo um estudo da Softex em que foram entrevistados CIOs de 101 empresas brasileiras, por exemplo, mais de 73% das empresas ainda estão em uma fase inicial do processos de transformação digital.

Neste sentido, como acelerar o movimento de transformação digital no Brasil para que possamos fomentar uma realidade realmente inovadora na qual a criatividade é recompensada? A resposta para essa pergunta, a meu ver, envolve, antes de tudo, a transformação humana!

Uma profunda mudança cultural

Para que as empresas possam verdadeiramente se reposicionar de forma vanguardista em seu mercado de atuação, é preciso que haja uma profunda mudança cultural nas corporações. Uma mudança cultural que, por conseguinte, permite que as pessoas evoluam, discutam e implementem novos modelos de gestão, sejam incentivadas nos processos criativos, aceitem que as falhas fazem parte de uma jornada de disrupção – mas, também, que é preciso aprender rápido com essas falhas e extrair delas resultados positivos.

A cultura organizacional de uma companhia, vale reforçar, nada mais é do que o sistema de crenças, o conjunto de valores, ideais e objetivos que definem a sua identidade. Logo, de nada adianta implementar novos recursos, ou adotar, superficialmente, um discurso de inovação se a ideologia que conduz a empresa ainda se prende a padrões retrógrados e obsoletos.

Dentro desse contexto, faço uma nova pergunta: sua empresa está disposta a mudar profundamente? A adotar novos modelos de gestão em que processos de inovação são incentivados em modelos mais enxutos e rápidos, por exemplo? Se sim, acredito que suas chances de contribuir com inovações para o mundo são muito mais significativas.

Reitero que tudo isso só é possível se contarmos com as pessoas: os verdadeiros e genuínos agentes da mudança. Vale reforçar que, no manifesto da metodologia ágil, um dos modelos de gestão mais interessantes que vem sendo discutidos no ambiente empresarial atual e que, em suma, prega a comunicação direta e estruturas mais funcionais para o desenvolvimento da inovação, os indivíduos, com suas potencialidades, são valorizados como um dos principais valores para o desenvolvimento de projetos bem-sucedidos!

O papel da liderança

Uma pesquisa da PwC com 1.393 CEOs apontou alguns dados interessantes: 86% deles declararam acreditar profundamente nos efeitos positivos da transformação digital em suas organizações. Dentre eles, 41% afirmaram que procuram sempre investir em tecnologias que permitam maior interação entre as pessoas e suas unidades de negócio e, por fim, outros 39% disseram investir também em recursos de otimização no engajamento com seu público.

O que isso nos mostra, afinal? Dentre outros pontos, que o papel dos líderes é decisivo para a construção de uma cultura realmente inovadora. Afinal de contas, são eles que, ao conduzir uma empresa, têm o poder de, gradativamente, difundir as sementes de uma cultura disruptiva e que busque novos horizontes.

Mas, novamente aqui, não podemos ficar apenas no discurso. O comportamento inovador deve, não só, ser incentivado, mas também, devemos assumir os riscos e os desafios intrínsecos aos processos de inovação. Sobre esta questão, vale a pena citarmos a ideia do erro inteligente, cunhado pelo professor de administração da Duke University, Sim Sitkin, em reportagem da Harvard Business Review. Um erro inteligente é aquele que produz conhecimento, fruto da experimentação e da busca por respostas, e que pode contribuir, inclusive, para a geração de diferenciais competitivos frente a concorrência. Neste sentido, antes de condenarmos as falhas que, eventualmente ocorrem dentro de uma jornada de inovação, devemos enxergar estas etapas com outras perspectivas, pois elas poderão ser valiosas para o nosso futuro.

Alinhando o mindset

Tecnologias móveis, o uso da nuvem, novas formas de comercialização, grande melhoria na experiência com o próprio público, análise de dados e estatísticas precisas para uma tomada de decisões segura e incisiva, agilidade em processos burocráticos e muitos outros. Todos estes instrumentos já estão disponíveis para nossas empresas. O próximo passo que proponho é que não apenas se usufrua da inovação, mas que sejamos líderes pioneiros na promoção de novas tecnologias. E, para tanto, devemos contar com o suporte da criatividade humana. Devemos transformar pessoas e fazê-las crer que, de fato, mentalidades inovadoras serão incentivadas e não punidas, que boas ideias realmente movem o mundo.

Aliás, gostaria de concluir esse artigo com uma provocação: você já parou para refletir sobre como você poderá mudar o mundo hoje?

*Alexandre Garcia é CEO da Cel.Lep

 

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