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Na Alemanha, conhecer cultura é essencial, diz gerente da Robert Bosch

Para quem pretende trabalhar pela primeira vez na Alemanha, Paulo Tagliolatto, gerente de sistemas da Robert Bosch América Latina, passa algumas impressões que colheu nos três anos que viveu naquele país, entre 2004 e 2006. “É uma cultura onde ainda se confia na palavra da pessoa. O discurso é direto, sem rodeios e sem medo de ferir suscetibilidades. As pessoas são muito formais. No meu trabalho, reinava a pontualidade, a concentração, o silêncio absoluto. Onde fiquei, dava para escutar o barulho do disco rígido funcionando. É um mundo diferente, onde não ser criticado já significa um grande elogio”, diz o paulista de 38 anos, analista de sistemas com MBA na área de informática.

Apesar das diferenças, o executivo não teve problemas de relacionamento. “Basta você entender que está em outro contexto e que não é pessoal”, ensina Tagliolatto, que deixou algumas poucas, mas sólidas amizades pessoais em Stuttgart.

Tagliolatto era líder na área de informática quando surgiu a oportunidade de participar de roll out de sistema de informação desenvolvido na Alemanha. “Era uma possibilidade de desenvolvimento profissional muito grande, junto com um time multicultural”, explica. Durante todo o tempo, Stuttgart funcionou como base de projetos. O trabalho exigia viagens constantes, o que lhe deu chance de conhecer países como França, Itália, República Tcheca e Turquia. Além disso, junto com a mulher – que largou o emprego no Brasil para acompanhá-lo -, o executivo fazia viagens internacionais a passeio a cada quatro meses. “Foi uma experiência muito rica para nós dois. Ela não tinha visto de trabalho, mas fez muitos cursos, inclusive de alemão bancado pela Bosch.” O executivo voltou ao Brasil quando terminou o contrato e se diz aberto a outras oportunidades.

Inglês fluente não basta

A Bosch mantém um número elevado de brasileiros no exterior, seguindo política internacional. Silvia Jacoby, gerente de transferências internacionais de pessoal da Robert Bosch América Latina, calcula 120 pessoas, segundo o último levantamento.  “Antes, o trânsito era só entre Brasil e Alemanha. Agora, se espalhou pelo mundo.”

A área de Silvia segue uma política global definida na Alemanha com adequações regionais. “São diversos tipos de contratos, dependendo de fatores como tempo de permanência fora do país, necessidades e filhos, entre outros.” Em contratos curtos, de três meses a dois anos, a Bosch incentiva o funcionário a levar a família. Já nos contratos considerados longos, de até seis anos, o expatriado também pode levar a família, mas irá arcar com alguns custos. 

A empresa oferece seminário cultural de um dia para informar e conscientizar as pessoas quanto às diferenças entre os países. “A gente sabe que, em geral, essa situação é mais difícil para o cônjuge. Neste sentido, a empresa ajuda financeiramente para conseguir trabalho ou fazer cursos”, informa.

A única dificuldade séria enfrentada por expatriado, de que Silvia se lembra, ocorreu com um casal brasileiro que teve filho na Alemanha e não conseguia nacionalidade nem alemã nem brasileira para a criança. Foi dramático para os pais, gerou processo na Justiça, mas foi uma situação isolada.

Como ex-expatriada que viveu três anos na Alemanha, Silvia afirma que o mais importante é ter conhecimento profundo do idioma. “Ir à Alemanha com ótimo inglês é muito bom para viagem de negócios, não para expatriado. Se o profissional não falar alemão, não vai assimilar e se integrar facilmente à cultura local, e vai ficar à margem. Claro que não se pode exigir esse domínio de quem vai para a China, por exemplo”, compara. A busca da fluência deve ocorrer com muita antecedência. “Alemão é extremamente difícil. Teve gente nossa que morou três anos lá e não aprendeu”, alerta.

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