Categories: Notícias

Modismo: quando e como investir nas novas tecnologias?

Em tempos de evolução tecnológica acelerada, um dos principais desafios do CIO é lidar com os constantes exageros em TI, com os hypes. Eles ocorrem quando uma tecnologia emergente invade as mídias e as agendas dos executivos, gerando uma onda de entusiasmo e expectativas nem sempre realistas. Como se não bastasse ter de acompanhar de perto as inovações e saber identificar as tecnologias relevantes para o negócio, o executivo de TI precisa gerenciar pressões, originadas fora ou dentro da empresa, para adoção de siglas novas ou conceitos “revolucionários” encampados por concorrentes ou enaltecidos por fornecedores. “Muitos CIOs estão sob pressão para adotar tecnologias sofisticadas, algumas das quais representam ruptura significativa no modelo de TI, como computação em nuvem e SOA, mas a verdade é que muitos ainda se restringem à gestão funcional do negócio e mal conseguem entregar o básico”, testemunha o sócio-diretor da TGT Consult, Ronei Silva.

Sem atender ao essencial, o CIO jamais terá a confiança necessária para sugerir investimentos. “E também não terá prestígio para contra-argumentar naquelas situações em que o CEO deixa sobre sua mesa um artigo e um post-it indagando ?por que não temos isso ainda?”, ilustra. Cumprido o básico, o CIO deve considerar a cultura da companhia no que tange a inovações tecnológicas. Em torno de 70% das empresas brasileiras agem de forma moderada, preferindo esperar que a tecnologia se consolide no mercado para, só então, estudar a adoção. “Apenas 10% posicionam-se como early adopters, enquanto as 20% restantes assumem estratégia conservadora”, aponta o consultor. Ele cita o segmento de mineração como um dos mais conservadores. “Foi o último a adotar ERP, cerca de dez a 15 anos após o surgimento destes sistemas.”

Para Silva, a pressão interna sobre o CIO, visando ao estudo ou à adoção de novidades, é inevitável, mas existem mecanismos que auxiliam na redução dos riscos. “Ele precisa ter o seu próprio radar, participar de eventos, fazer visitas e não se basear apenas no que diz o fornecedor. E tem de imprimir proatividade à sua área, evitando que se torne uma TI ?tiradora de pedido”, diz. O especialista também menciona o Hype Cycle como metodologia que ajuda o CIO a interpretar a curva de maturidade de tecnologias e a medir o risco de adoção.”Tecnologias podem desaparecer antes mesmo de atingir um platô de maturidade, muitas superadas por outras mais eficientes.”

Como ilustração, os serviços ASP (application service providers) representam um modismo que foi atropelado pelo software como serviço (SaaS) e o grid computing, que nunca decolou. Outros conceitos que não cumpriram totalmente as expectativas geradas, segundo Silva, foram o content management e a biblioteca de boas práticas Itil. “Sei que isso pode gerar polêmica, principalmente entre os usuários do SharePoint, mas a ideia de gerenciar todo o conteúdo da empresa, inclusive vídeo e áudio, não se concretizou. O que se vê é cada departamento fazendo a sua gestão individual”, pontua o consultor da TGT.

No caso de Itil, Silva considera que o impacto na qualidade de TI se revelou pequeno diante de tudo o que a metodologia prometia em termos de controle. Ele aproveita para dizer que o business process management (BPM), outro assunto rotineiro na pauta dos CIOs, só funciona quando o negócio está orientado a processo. “O mesmo vale para gestão de conteúdo”, alerta.

Leia também:

Modismo: focar benefício ao negócio é saída

Modismo: governança reduz riscos

Modismo: pensando fora da caixa

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

3 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

6 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

9 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

1 dia ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

1 dia ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

1 dia ago