O mundo só foi criado em seis dias porque não havia legado, dizem algumas pessoas que circulam pelo mundo da tecnologia da informação. E é exatamente neste ambiente de complicações, entrando especificamente no combinado Cobol-mainframe, que a Micro Focus se embrenha há anos. Fortalecendo essa estratégia, a multinacional anuncia um novo programa de parceiras, que insere integradores de sistemas em sua base de parceiros para atender a este gigantesco mercado, especialmente em solo brasileiro.
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?Aplicação legada é aplicação que funciona?, considera Marco Leone, country manager da companhia no Brasil. Segundo o executivo, são cerca de 200 bilhões de linhas de código escritas em Cobol ? linguagem típica de plataformas mainframe ? ao redor do mundo, que precisam ser atualizadas para um manuseio mais simples e rápido.
A falta de profissionais de TI, especialmente no Brasil, não é um fator desconhecido do mercado. E quando se fala em uma linguagem com mais de 50 anos de vida, o número de adeptos cai ainda mais. Em um processo evolutivo natural, especialistas em Cobol se aposentam, mas a ?produção? de especialistas na área não acompanha o ritmo ideal de substituição.
Com este apelo, a companhia quer fortalecer seus produtos de ?tradução? da linguagem em integradores de sistema. A linha Enterprise Analyzer, Enterprise Developer e Enterprise Test Server, que produz um plug-in com as conhecidas linguagens Java e .Net para facilitar as atividades, responde hoje por cerca de 8% do faturamento da subsidiária nacional. Com a novidade, a expectativa é ultrapassar os 20%. ?O que é feito hoje com Java e .Net é o mesmo feto há 20 anos com Visual Basics e Delphi. É preciso uma adaptação constante. A única certeza para o futuro é que haverá Cobol, mas não haverá Java nem .Net?, compara Leone.
Julia Ito, diretora global de Marketing de Produtos e Soluções de Enterprise, chega para ajudar na disseminação da novidade. ?Sabemos que existe um problema de conhecimento de legado e é nisso que queremos ajudar?, explicou a executiva.
A proposta é que os próprios integradores utilizem a tecnologia Micro Focus para fornecer serviços a seus clientes. A solução, explica a fabricante, aumenta a produtividade desta linguagem em até 40%. ?Estamos conversando com empresas como Stefanini, BRQ, T-Systems e Capgemini?, contou Leone. O objetivo é ter cerca de cinco a dez parceiros/clientes nesta área, sempre de grande porte, já que mainframes são comumente utilizados por instituições financeiras.
As parcerias da Micro Focus, hoje, são dentro do escopo de desenvolvimento, sendo 15 ISVs e cerca de seus fábricas de software. A companhia, que viu a venda licenças de software crescer 40% no último ano, observa a maior parte do faturamento vindo de clientes de financial services (40%), seguida por governo (30%), varejo (10%) e outros (20%). Cobol responde por 50% do faturamento. Soluções Borland, da companha homônima adquirida em 2009, representam cerca de 30%.
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