Cisco aborda implicações de segurança e da IA no metaverso

Durante os quatro dias em que o Cisco Live 2022 reuniu jornalistas, analistas, parceiros e clientes da empresa em Las Vegas*, a empresa anunciou diversas estratégias e lançamentos. Um dos assuntos abordados – embora talvez com nem tanto entusiasmo – foi o metaverso, tem que tem sido discutido pelas grandes companhias de tecnologia com bastante ênfase.

Jaeson Schultz, líder da área técnica da Cisco Talos, alertou sobre a possibilidade de a complexidade dos ataques aumentarem com o metaverso. Ele citou, também, roubos de identidade para realizar fraudes ou se passar por outra pessoa. “No metaverso, você terá avatar e precisamos nos antecipar para ter certeza de que não haverá golpes”.

Os executivos responderam, ainda, o que esperam da tecnologia em três ou quatro anos, quando estiver mais madura. Para Keith Griffin, líder de engenharia da Cisco, o metaverso será uma plataforma aberta e será necessária a colaboração entre empresas para diferentes pilares, como educação e saúde para que as plataformas sejam integradas.

Leia também: Cisco pauta estratégia em conectividade e aplicações otimizadas

“Em alguns anos, será um universo diferente, mas o impacto que acreditamos que veremos será maior na indústria e não só para consumidores finais. Nós vamos ver o mundo físico e virtual juntos com, por exemplo, os gêmeos digitais”, complementou Masum Mir, vice-presidente e general manager da unidade Cable & Mobile da companhia.

Por fim, Vijoy Pandey, vice-presidente de cloud e sistemas distribuídos da Cisco, concorda ao dizer que as pessoas estarão viajando entre os dois mundos. Segundo ele, teremos o mundo físico e este será amplificado pelo mundo virtual.

Futuro com propósito

No painel “Purpose-Driven Innovation”, Liz Centoni, vice-presidente executiva, CSO e general manager de aplicações da Cisco e Derek Idemoto, vice-presidente sênior de desenvolvimento corporativo da Cisco Investments, discutiram sobre inovações e as responsabilidades incumbidas às empresas.

De acordo com a executiva, o mundo poderá ser híbrido e a Cisco está olhando como pode ajudar nisso. “Hoje estamos ajudando indústrias que estão em lugares remotos a ter conectividade, por exemplo, de óleo e gás. Mas imagine se pudermos levar conectividade também para pessoas que vivem em áreas remotas”.

No entanto, a conectividade, o uso massivo de dados e a IA aspiram certos cuidados. Por isso, a Cisco criou um framework de responsabilidade de IA com seis pilares: transparência, justiça, accountability, privacidade, segurança e confiabilidade.

Entre os investimentos que já estão sendo feitos pela companhia, cita Derek, estão US$ 50 milhões em um fundo de investimento para acelerar startups com lideranças diversas e por fundos de capital de risco.

Além disso, mais de US$ 30 bilhões de capital de risco foram investidos em mulheres que fundaram startups de tecnologia entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2021, um crescimento de 92,8% em relação ao financiamento de 2020; e o investimento em startups fundadas por latinos passou de US$ 1,7 bilhões para US$ 6,8 bilhões entre 2017 e 2021.

Ainda sobre a responsabilidade social, Guy Diedrich, vice-presidente sênior e Global Innovation Officer da Cisco, palestrou no painel “Building Truly Inclusive & Sustainable Communities”. Um dos dados trazidos pelo executivo diz que a inclusão global na internet pode trazer 7% da população mundial (500 milhões de pessoas) acima dos níveis de pobreza absoluta eadicionar US$ 6,7 trilhões à produção econômica global, de acordo com o relatório “Connecting the World”, da PwC.

Leia mais: Cisco e Yellow, de Pharell Williams, firmam parceria para fomentar educação

“Conectividade digital é crítica para criar uma sociedade e economia em que todos os cidadãos podem participar”, disse o executivo. Apesar disso, 50% da população atual continua não conectada; as mulheres são 50% menos propensas a usar a internet do que os homens; e apenas 29 possuem conexão à Internet que seja acessível.

A Cisco possui diversos projetos pelo mundo para ajudar na conectividade e oportunidades de populações que estejam em situações de risco. Um deles, realizado com o governo da Índia, é a criação de uma Aldeia Digital em Palghar, para que as pessoas possam estar conectadas. Essa é a primeira região de um projeto ambicioso do governo: fornecer serviços de banda larga a 250.000 vilas em todo o país.

Em Houston, nos Estados Unidos, a Cisco realiza um trabalho com jovens que saem de casas de acolhimento familiar para pessoas órfãs – eles podem ir a um programa de educação que os preparem para o mercado de trabalho em tecnologia. O projeto foi criado, pois, segundo estudos, 20% dessas crianças se tornam pessoas em situação de rua quando alcança a maioridade e metade deles têm problemas para encontrar trabalho até os 24 anos de idade.

Segundo Guy, isso vai ao encontro, também, dos gaps de profissionais na área: 85 milhões de empregos serão deslocados por uma mudança de trabalho entre humanos e máquinas até 2025 e 987 milhões de empregos serão criados pela transformação digital até 2025. “Nós como indústria, como academia e governo, precisamos estar juntos e trazer soluções para isso. Precisamos treinar novamente milhões de pessoas para esses novos trabalhos”, finaliza.

* a repórter viajou à Las Vegas a convite da Cisco

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